Nações indígenas incrementam lutas políticas na América Latina
No domingo, 6 de dezembro, habitantes de 12 cidades bolivianas vão às urnas para dizer Taxi Heathrow Airport se querem que suas comunidades sejam autônomas, auto-regulamentadas, num sistema próximo ao socialismo, mas com líderes eleitos democraticamente, pelo período de um ano, segunda práticas incas.
ALC
La Paz, quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Com a eleição do aymara Evo Morales à presidência da República, indígenas experimentaram grandes avanços. Em fevereiro, a população boliviana aprovou Constituição que concedeu status de soberania às populações autóctones e declarou-se Estado plurinacional.
Morales fundou três universidades indígenas, criou escola especial para aspirantes a diplomatas que tenham histórico nativo. “A Bolívia não é mais a África do Sul da América Latina”, disse o professor Waskar Ari, aymara que leciona na Universidade do Nebraska, nos Estados Unidos, em entrevista ao repórter Brank Bajak, do The New York Times.
Dos 500 milhões de habitantes da América Latina, um em cada dez é indígena, 80% deles vivendo com menos de dois dólares por dia e 40% sem acesso aos tratamentos de saúde. Na Bolívia, três em cada cinco habitantes são descendentes de indígenas.
Bajak constatou que nações indígenas da América Latina passam por um despertar político, numa região onde viviam como cidadãos de segunda classe, desde a conquista espanhola e portuguesa.
“Grande parte disso é resultado de uma melhor educação e comunicação, especialmente com a internet, permitindo que os líderes nativos em vilarejos remotos compartilhem ideias e estratégias através das fronteiras internacionais”, relatou o jornalista do New York Times.
Boa parte dessa luta, admitiu Bajak, nasceu da necessidade de resguardar recursos naturais em terras que os índios consideram suas, e que estão na mira de multinacionais.
É o caso do povo shuar, do Equador, que bloqueou estradas e puxou arame farpado em pontes que dão acesso às florestas do sudeste do país, em protesto contra a legislação que permitia a instalação de minas em terras indígenas sem o seu consentimento prévio e que colocaria a água da região sob o controle do Estado.
“O movimento indígena se levantou porque o governo não respeita os nossos territórios, os nossos recursos, a nossa Amazônia”, disse o presidente do povo shuar, Rômulo Acahu, ao repórter do jornal estadunidense.
No Peru, o governo dividiu mais de 70% da Amazônia em blocos de exploração de petróleo e começou a vender essas concessões. Em protesto, índios bloquearam estradas, no ano passado, temendo a contaminação de suas áreas de caça e pesca.
“Quase tudo o que temos vem da floresta. As folhas, a madeira e as vinhas com as quais construímos nossas casas, a água dos nossos riachos, os animais que comemos. É por isso que estamos tão preocupados”, argumentou Gabriel Apikai, professor do Ensino Fundamental da tribo awajun.
No Chile, mapuches brigam por terras e educação. Antes da conquista espanhola, eles dominavam o Chile, mas seu povo foi reduzido em 90% no decorrer da história e os sobreviventes detêm menos de 5% das terras, dentre as menos férteis do país.
Na Nicarágua, o governo sandinista acabou por cumprir, em dezembro de 2008, o que determina a Corte Interamericana de Direitos Humanos, e garantiu a propriedade de terras coletivas ao povo mayagna. A Corte concluiu que o governo não tem nenhum direito de vender concessões de propriedade sobre terras indígenas.
No início de 2009, a Corte Constitucional da Colômbia estimou que mais de um milhão de indígenas do país correm perigo de “extermínio cultural e físico” e pediu proteção do governo aos povos autóctones.
No Brasil, yanomamis finalmente venceram disputa jurídica de duas décadas, quando a Suprema Corte determinou que arrozeiros saíssem da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, uma reserva de 1,7 milhão de hectares habitados por 18 mil indígenas.
Mas ainda há muito a percorrer no campo da saúde e da educação. Na Guatemala, três em quatro índios são analfabetos. Embora metade da população do país descende dos mayas, nenhum índio galgou algum posto no governo nacional.
