CMI propõe boicote a produtos dos assentamentos israelenses
O Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) conclamou o governo de Israel a Taxi Heathrow Airport desmantelar os assentamentos nos territórios palestinos ocupados e insistiu no compromisso das negociações de paz na região. Também propôs o boicote internacional de produtos e serviços procedentes dos assentamentos.
ALC/CMI
Genebra, terça-feira, 8 de setembro de 2009
O Comitê Central é o principal órgão reitor do CMI entre assembléias. Reunido em Genebra de 26 de agosto a 3 de setembro, o Comitê, aprovou uma série de declarações e notas sobre vários assuntos religiosos, políticos e sociais importantes para as igrejas membros.
Em manifestação pública, o CMI condenou a lei contra a blasfêmia, motivo de perseguição religiosa, e pediu ao governo do Paquistão que garanta o direito de todas as minorias religiosas do país.
O Comitê incitou as igrejas membros do CMI a escutarem o pranto de “irmãs e irmãos em Cristo que sofrem atos de violência, ameaça e intimidação”, detectou a diminuição da liberdade religiosa em muitas partes do mundo e o aumento da intolerância religiosa.
O organismo ecumênico internacional instou suas igrejas membros da República Democrática do Congo a condenarem publicamente a violência contra as mulheres no país. Exortou as partes em conflito a pôr fim aos atos de violência sexual e reivindicou do governo que acabe com a impunidade das violações.
Cerca de 260 milhões de pessoas no mundo são consideradas “intocáveis” em suas sociedades, o que contradiz os ensinamentos cristãos de que todas as pessoas são criadas à imagem e semelhança de Deus. O Comitê Central chamou as igrejas membros do CMI a reconhecerem “que a constante discriminação e exclusão de milhões de pessoas devido a sua casta" é um "um sério desafio à credibilidade do depoimento de sua fé em Deus".
Em outro posicionamento, o CMI denunciou que o sistema financeiro mundial "enriqueceu algumas pessoas, mas prejudicou a muitas mais, criando pobreza, desemprego, fome e morte", ao mesmo tempo em que “aumentou a brecha entre ricos e pobres”. Lembrou às igrejas membros a não traírem sua função profética e propôs o estabelecimento de novos “indicadores de progresso” para a economia.
Os cristãos têm a obrigação moral de promover a justiça ecológica. A dívida ecológica, manifestou o Comitê Central, refere-se em primeiro lugar à dívida dos países industrializados do Norte para com os países do Sul, à conta do saque histórico e atual de recursos, à degradação ambiental e à emissão de gases de efeito estufa.
O CMI apóia o direito à objeção de consciência e chamou as igrejas membros a sustentarem “o direito a negar-se a portar e utilizar armas” quando seja possível, realizando, em lugar do serviço militar, o serviço alternativo.
O CMI é uma comunidade de 349 igrejas presentes em mais de 110 países. As igrejas membros incluem a maioria das igrejas ortodoxas, bem como a muitas igrejas anglicanas, batistas, luteranas, metodistas, reformadas, unidas e independentes. Juntas, as igrejas membros representam mais de 560 milhões de cristãos.
Na coletiva de imprensa de encerramento da reunião do Comitê Central, o moderador do CMI, pastor Walter Altmann, disse que apesar da intensa ordem do dia estava satisfeito com o resultado da reunião, pois ela “fortaleceu o depoimento e a expressão da comunidade fraternal das igrejas”.
Além de assuntos internacionais, o Comitê Central examinou o trabalho programático do CMI. Admitiu que os programas, tal como estão organizados atualmente, são insustentáveis. Recomendou, pois, que eles sejam reestruturados e destacou a necessidade de, em vez de reduzir as atividades em todos os níveis, a estabelecer prioridades e adotar um enfoque mais modesto, limitado e sustentável com respeito ao trabalho programático.
O Comitê adotou uma série de recomendações relativas ao orçamento para 2010. O moderador do Comitê de Finanças, Anders Gadegaard, alertou que a diminuição de rendimentos para 2010 poderia ser da ordem de 5% a 10%. O orçamento para 2010, tal como figura atualmente, é de 35,5 milhões de francos suíços. A aprovação final do orçamento para 2010 terá lugar na reunião do Comitê Executivo, em fevereiro de 2010.
