Funes poderá mediar crise institucional de Honduras
Depois da tensa situação em Honduras, agravada pela destituição do ministro da Defesa, Romeo Vásquez, Taxi Heathrow Airport ao se negar a dar apoio logístico ao referendum do próximo domingo, 28, o presidente de El Salvador, Mauricio Funes, anunciou que estaria disposto a ser mediador no caso, se o seu colega, presidente Mel Zelaya, o solicitar.
Rafael Menjívar Saavedra
San Salvador, sexta-feira, 26 de junho de 2009
Zelaya chegou à presidência de Honduras em 2006. Depois de fortes críticas da oposição, ele está decidido a manter sua proposta de realizar a consulta nacional para reformar a Constituição do país.
O ministro das Relações Exteriores de El Salvador, Hugo Martínez, reafirmou que estariam dispostos a ajudar no caso hondurenho, desde que se gerem as condições constitucionais para tanto.
Segundo a imprensa local, o presidente venezuelano Hugo Chávez manifestou apoio a Zelaya. Fidel Castro disse que o caso de Honduras é uma prova de fogo para a Organização de Estados Americanos e para o presidente Barack Obama.
Zelaya abriu a casa do governo fazendo uma auditoria social, confrontando servidores públicos do mais alto nível com os setores populares que exigem seus direitos. Em 2008, ele teve um confronto com deputados do Congresso Nacional em várias ocasiões, na contramão de seu acordo para reformar a lei eleitoral.
Também distanciou-se do Congresso na eleição da nova Corte Suprema de Justiça e na eleição do Promotor Geral. Estes fatos marcaram uma ruptura evidente no sistema político nacional. Apagou-se a linha divisória entre os dois partidos tradicionais. Ambos se localizaram nitidamente na contramão do interesse nacional e na contramão do executivo, que ficou quase sem representação no Congresso Nacional.
O mandatário aumentou o salário mínimo por decreto, compensando a sua falta de apoio no Congresso realizando uma ampla aliança com os setores populares. Isto agravou o confronto com os grupos de poder. A grande mídia não cessou um só dia de atacá-lo.
O referendo vai perguntar à população se quer que o país constitua uma Assembléia Nacional Constituinte para redigir uma nova carta. A proposta gerou um maremoto político. Aliaram-se os setores mais conservadores para opor-se à consulta nacional, que montou uma campanha midiática milionária para declarar ilegal a campanha em favor da constituinte. .
A proposta de consulta é inédita neste país. Hondurenhos jamais foram consultados sobre algum assunto de interesse nacional. Zelaya não enviou o projeto de orçamento de 2009 ao Congresso Nacional e não transferiu recursos ao parlamento, como maneira de pressioná-lo. Isso incrementou o mal-estar dos deputados da oposição, que precisam dos recursos públicos para pagar suas campanhas.
O presidente Zelaya convocou os setores populares e o Estado Maior das Forças Armadas para reafirmar seu compromisso com a consulta. Os militares ficaram no centro da polêmica nos últimos dias porque não pretendem obedecer o comandante geral para dar o apoio logístico à consulta. Zelaya determinou que amanhã distribuam as 15 mil urnas em todo o país para a consulta do domingo.
