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quarta-feira, 1 de julho de 2009

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Identidade, união e missão selam comemoração de Congresso Evangélico

Com uma celebração litúrgica no teatro Astral, da capital cubana, e a emissão de documento, a Conferência pelo Aniversário do 80 aniversário do Congresso Evangelístico Hispano-Americano de Havana foi encerrado hoje, aberto no dia 22,no Seminário Evangélico de Teologia (SET) de Matanzas.

José Aurelio Paz

Matanzas, sexta-feira, 26 de junho de 2009

O evento, ante-sala latino-americana das comemorações do centenário da Conferência Missionária Mundial de 1910, que terá lugar em Edimburgo no próximo ano, reuniu mais de uma centena de líderes ecumênicos de 15 países da região, que firmaram, em documento, interesses comuns dos desafios que desafiam a Igreja como instituição e comunidade de fé, no desempenho de sua missão no contexto da crise econômica mundial.

A identidade, a unidade e a missão como experiências descolonizadoras e liberadoras são, para a teóloga e pesquisadora brasileira Silvia Regina de Lima Silva, o caminho na busca de novos paradigmas teológicos que levem a Igreja a se repensar quanto à sua razão de ser e em seu modo de estar presente no mundo.

O presidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai), Julio Murray, pediu a revisão da conjuntura do continente quanto ao eclesial e o ecumênico. Disse que o desenvolvimento da América Latina “oferece uma ampla gama de paradoxos que desafiam todas as predições, as prescrições e as análises de escritores e intelectuais da esquerda e da direita”.

Na opinião do bispo anglicano, existe um grupo de contradições nas quais baseia a sua análise. Mencionou, entre elas, os processos eleitorais que tradicionalmente serviram para a preservação do sistema, converteram-se em campo de mobilização contra a estratégia de dominação imperialista e em possibilidades reais para a esquerda. 

“Nunca antes a democracia se encontrava tão estendida no continente, nem mesmo os seus processos políticos contaram com tão alta percentagem de valoração cidadã como na atualidade. Mas, ao mesmo tempo, nunca como agora a democracia convive com altos índices de pobreza, marginalização e desigualdade. O verdadeiro perigo das democracias latino-americanas é o crescimento da pobreza, da desigualdade e das seqüelas da exclusão e da violência que elas geram”, afirmou.

Ele vê os desafios do ecumenismo localizados na possibilidade de estabelecer um diálogo rico e valente com as novas expressões cristãs; com a antiga religiosidade; com os afro-descendentes, os indígenas, os jovens e as mulheres; o intercâmbio das igrejas históricas com as pentecostais e a possibilidade de coordenar “esforços e vislumbrar novos paradigmas ecumênicos” para que haja coerência entre o que se diz e se faz no dia a dia.

Num contexto de crescente marginalidade e violência, as igrejas são chamadas a criar espaços para o dialogo “como metodologia para a solução de conflitos entre governos e a sociedade civil, recorrendo à sua capacidade profética”, defendeu.

A conferência comemorativa dos 80 anos do Congresso Evangélico de Havana foi auspiciado pelo CLAI, o Conselho Mundial de Igrejas, a Associação Protestante das Igrejas e Missões em Alemanha, Pão para Todos, da Suíça; a Igreja Unida do Canadá; a Federação de Entidades Religiosas Evangélicas de Espanha  e a Missão 21, também da Suíça.