Casal pesquisador da Viva Rio viajava no vôo da Air France
O pesquisador argentino Pablo Dreyfus, 38 anos, e sua mulher, a brasileira Ana Carolina Rodrigues, Taxi Heathrow Airport 28 anos, integrantes da ONG Viva Rio, viajavam no Airbus da Air France, vôo AF 477 Rio – Paris, que desapareceu no Atlântico, no domingo. O casal passaria uma semana de férias na capital francesa.
ALC
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Ana Carolina era socióloga e doutora em Juventude, e trabalhava no projeto Crianças e Jovens em Violência Armada Organizada, da Viva Rio. Dreyfus coordenava o projeto de controle de armas da ONG e foi um dos responsáveis pela criação do Estatuto do Desarmamento.
Pablo graduou-se em Ciência Política pela Universidade de Buenos Aires e era um dos pesquisadores do Instituto Superior de Estudos da Religião (Iser). O airbus da Air France decolou do aeroporto Tom Jobim, do Rio, por volta das 19h do domingo, com 216 passageiros e 12 tripulantes.
O secretário-geral da Igreja Evangélica do Rio da Prata (Ierp), pastor Juan Abelardo Scvindt, conheceu Dreyfus em seminário organizado pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), no início da Década para a Superação da Violência. O seminário foi hospedado pela Viva Rio.
O trabalho de Dreyfus nas favelas do Rio “é uma mostra do esforço titânico para compreender as verdadeiras origens da violência social e estrutural da qual os latino-americanos padecem”, relatou Schvindt à repórter Claudia Florentin, da ALC.
Suas investigações em relação à implantação do "Instrumento Internacional de Marcação e Rastreamento", que previa o controle do estoque de armas e com quem estavam “indicam a complexidade do problema com o qual estava ocupado”, disse o pastor argentino.
O pesquisador da Viva Rio assistiu a V Assembléia Geral do Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai), reunido em Buenos Aires, em fevereiro de 2007. Recentemente, a convite do organismo continental, Dreyfus participou de consulta ecumênica, na Colômbia, que tratou da relação entre violência e narcotráfico.
“Ele era um especialista no tema do armamentismo, contribuindo sempre com clareza a partir das realidades das ONGs”, afiançou Schvindt. “Pessoalmente, agradeço a Deus que, através do Gothenburg Process, nos trouxe Pablo a Bogotá”, disse Gloria Ulloa, do presbitério da Costa Norte da Colômbia.
“Pablo foi uma das pessoas mais queridas no encontro de Bogotá, não só por sua enorme capacidade e conhecimento do tema sobre transferências de armas, senão também por sua personalidade afável”, atestou o vice-presidente do CLAI, Felipe Adolf, que recorda uma das frases que o argentino deixou em sua exposição: “As igrejas devem fomentar a criação de um estado de direito".
