O adeus a um homem de fé e ecumênico
Na quinta-feira 30 de abril, faleceu nesta capital o reverendo Carlos Halperín, aos 64 anos. Taxi Heathrow Airport Reconhecida personalidade do mundo ecumênico, ele compartilhou a vida com estudantes, fiéis e professores de diversas confissões.
Claudia Florentín
Buenos Aires, terça-feira, 5 de maio de 2009
A partida de "Charly", como lhe dizíamos pelos corredores do Instituto Superior de Estudos Teológicos (ISEDET) surpreendeu-me. Faz uns meses vi-o no Lar Sacerdotal, recordando velhos tempos do ISEDET, tempos onde ele, sendo reitor, viu lutas, acordos, romances, frustrações e lucros.
Halperín nasceu em Buenos Aires, no dia 19 de setembro de 1944. À média idade, chegou à Igreja Anglicana, movido de um notável fervor religioso, sendo membro da comunidade de San Miguel, na localidade de Martínez. Anos depois, pediu para ser admitido ao sacerdócio e foi ordenado diácono em 1991 e presbítero vários meses depois.
Ele exerceu seu ministério em Córdoba e em Buenos Aires. Foi professor e reitor durante cinco anos do ISEDET, nesta capital.
Em 1995, convidou-me para participar um tempo na Catedral Anglicana. Muito aprendi nesse espaço, intenso e produtivo. Surpreendeu-me sempre, o que alguém chamou nestes dias, da "sua profunda espiritualidade litúrgica, com orientação anglo-católica". Eu, filha de protestantes, compartilhei com alegria uma maneira diferente de acercar-me ao espiritual a cada domingo.
Halperín teve uma profunda devoção à virgem María. Desempenhou um importante papel nas relações ecumênicas entre anglicanos e cristãos de todas as denominações. Foi membro ativo de organizações e comissões ecumênicas. Fez amigos em diferentes igrejas - bispos, arcebispos, anciãos, pastores, *pastoras, membros do Exército de Salvação...
Com problemas crônicos de saúde, seu estado se agravou em 2007 e ficou impedido de caminhar. Mas manteve a lucidez, intelecto e simpatia. Os gatos, que foram sua paixão, não puderam acompanhá-lo neste tempo, mas os tinha presentes em fotos que luziam na sua habitação. Viveu nos últimos dois anos no Lar Sacerdotal de Buenos Aires, da Igreja Católica, por expresso convite do primaz da Argentina, Jorge Bergoglio.
Ao despedir seus restos, o arcebispo Gregory Venables disse que Charlie foi um desses homens sem igual, desses homens que depois de ter nascido, Deus rompeu o molde.
