Sobreviventes do massacre de Aradas relatam dramas
O Tribunal Internacional para a Aplicação da Justiça Reparadora em El Salvador escutou, hoje, depoimentos Taxi Heathrow Airport de Erlinda de Franco, cujo esposo, Manuel Franco, foi executado; Esperanza Cortés, que denunciou o desaparecimento de suas duas irmãs, e de Miriam Ayala e Julio Rivera, sobreviventes do massacre das Aradas, ocorrido no departamento de Chalatenango, em 14 de maio de 1980.
Carlos León
San Salvador, sexta-feira, 27 de março de 2009
Manuel Franco era líder da Frente Democrática Revolucionária quando foi seqüestrado junto com sete dirigentes políticos e assassinado por um grupo paramilitar em 27 de novembro de 1980. Num comunicado de imprensa publicado no diário salvadorenho O Mundo, a Brigada Anticomunista Geral Maximiliano Hernández Martínez responsabilizou-se pelo assassinato.
Esperanza falou sobre sua experiência na procura pelas suas duas irmãs desaparecidas: Sandra e Doris, esta, grávida quando a raptaram. Seu esposo também foi preso e torturado, até que finalmente o exilaram. “Nunca perdi a esperança de que quando tudo isso terminasse eu ia reiniciar a busca de minhas irmãs”, declarou.
Miriam e Julio relataram o que padeceram como sobreviventes do massacre das Aradas. Com as mãos na testa e o olhar para o céu, Miriam fazia uma pausa para recompor-se depois de ter declarado: “Eu o recordo e minhas feridas não sanaram, tinha 12 anos quando ocorreu o massacre e minha irmã de 14 morreu aí”. Seu pai e seu irmão também foram mortos, um mês antes.
Julio Rivera, quem também escapou da morte, contabilizou 20 familiares seus massacrados. Ele tinha sete anos quando tudo ocorreu e salvou-se porque cruzou o rio Sumpul com seu pai alguns dias antes do massacre. Do outro lado viram e escutaram tiros e gritos, o exército salvadorenho encurralou a população no rio que serve de limite com Honduras e a armada desse país evitou que as pessoas fugissem.
