Governo Obama gera expectativas
O discurso de posse do primeiro presidente afrodescendente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama, na Taxi Heathrow Airport terça-feira, 20, foi qualificado como “realista” e “esperançoso” por analistas cubanos, enquanto outros disseram que ele não preencheu as expectativas.
Enrique López Oliva
Havana, quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
“O mundo mudou e nos temos que mudar com ele”, declarou Obama. A América, emendou o jovem advogado, “tem que desempenhar o seu papel no parto de uma nova era de paz”.
Em Cuba, muitos ainda não entenderam a importância e o significado da eleição de um presidente negro. Esses continuam aferrados à concepção de que o ex-senador por Illinois é um astuto capitalista.
Poucos cubanos acreditavam na eleição de Obama, inclusive na sua indicação como candidato democrata ao pleito. O que eles não entenderam, assinalou um analista da Ilha, é que a escolha de Obama para governar a maior potência mundial representa uma mudança que vai além da política, pois trata-se de um câmbio de filosofia, para os Estados Unidos e para o mundo.
O presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular, Ricardo Alarcón, disse que o discurso do presidente estadunidense foi “muito interessante” e que o mandato de Obama representa, para expectativas cubanas, um grande ponto de interrogação.
A cidadania cubana espera que o governo Obama elimine as restrições de viagens a cubanos que vivem tanto na Ilha como no país do Norte, e as limitações de remessa de recursos para Cuba por parte de cubanos que moram nos Estados Unidos. Os mais otimistas aspiram o fim do embargo econômico imposto a Cuba desde 1961.
Na terça-feira, opositores ao regime castrista assistiram na sede comercial dos Estados Unidos em Cuba, a convite, a posse de Obama, transmitida pela CNN.
Foi notória a ausência de personalidades que se opõem a Castro, nomes como Vladimiro Roca, Martha Beatriz Roque, o psicólogo Nestor Farinas e Antúnez, José Vélez e Juan Antonio Madrazo, os dois últimos integrantes de organização de cunho antiracista.
Muitos desses, que tiveram boas relações com o governo do presidente George Walker Bush, não se mostraram partidários às apreciações políticas de Obama, que, na campanha, expressou a disposição de conversar com o governo de Cuba.
