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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007

Líderes cristãos dizem que pobreza é um escândalo

, PORTO ALEGRE, Brasil, Fevereiro 23, 2006

A pobreza que afeta os povos da América Latina continua sendo um desafio para governos Taxi Heathrow Airport e sociedades e um escândalo para as igrejas, diz relatório da IX Assembléia Geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), reunida nesta capital de 14 a 23 de fevereiro.

Mais da metade da população vive em situação de pobreza (com menos de dois dólares norte-americanos por dia) por causa das medidas de ajuste estrutural impostas pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, aponta a declaração sobre América Latina, aprovada nesta quarta-feira.

O documento admite que a privatização de companhias estatais trouxe, no curto prazo, um alívio e certo bem-estar econômico em alguns poucos casos. Contudo, numa perspectiva a médio e longo prazo, a aplicação desse tipo de políticas piorou a situação da região, provocando em muitos países enorme crise econômica no final dos anos 90 do século passado e começos de 2000.

Em muitos países os dados macroeconômicos demonstram certa recuperação, mas ela não se reflete nos bolsos dos homens e mulheres do povo. A declaração enfatiza que mesmo nos países onde a pobreza é menor, o abismo entre ricos e pobres é enorme e essa situação agrava a exclusão, especialmente de povos indígenas, afro-descendentes e das populações rurais.

Esta é a primeira vez que uma Assembléia do CMI reúne-se em solo latino-americano nos 58 anos de vida institucional do organismo mais representativo do cristianismo protestante, ortodoxo e anglicano. A Igreja Católica não é membro do CMI, mas uma comitiva de 18 observadores nomeada pelo Vaticano participa da Assembléia.

Para os delegados presentes em Porto Alegre, a pobreza é inaceitável, ainda mais numa região rica em recursos. A declaração enfatiza que as igrejas não podem fazer ouvidos surdos aos clamores dos pobres da região.

Os religiosos reconhecem que o pagamento do serviço da dívida externa, uma alta percentagem do produto interno bruto dos países, impede a aplicação de políticas sociais eficazes, o que conspirou gravemente contra a educação, a saúde e o emprego. 

A declaração da IX Assembléia insta a comunidade internacional, os Estados e as instituições financeiras a revisarem a legalidade da dívida externa que se agrava sobre a região, e pede aos governos latino-americanos que procurem integrar-se para fazer frente aos desafios do mundo atual.

A declaração pede aos países que fortaleçam a democracia, o império da lei, o respeito aos direitos humanos, e que dêem tratamento igual a todas as religiões em suas legislações.