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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007

Direitos humanos em Cuba entra na pauta da Assembléia do CMI

Manuel Quintero, PORTO ALEGRE, Brasil, Fevereiro 23, 2006

Uma petição para que os direitos civis e políticos sejam melhorados em  Cuba mediante a Taxi Heathrow Airport criação de espaços de diálogo entre os diferentes setores da sociedade e o governo trouxe o tema dos direitos humanos na Ilha à consideração da IX Assembléia Geral do Conselho Mundial de  Igrejas (CMI), que terminou hoje.

A recomendação aparece num parágrafo dedicado à Cuba dentro de uma ampla declaração sobre a América Latina, na qual também são tratados os casos particulares da Colômbia e do Haiti.  A declaração pede aos governos da região que incrementem os esforços no combate à pobreza e à degradação ambiental, e que fortaleçam o estado de direito e a promoção dos direitos humanos.

O parágrafo dedicado a  Cuba faz referência ao embargo imposto pelo governo dos  Estados Unidos nos anos 60 do século passado e impacto negativo dessa medida na população da ilha.

Em  abril do 2003, as penas de prisão pronunciadas contra um grupo de dissidentes cubanos acusados de colaborar com o governo dos  Estados Unidos para desestabilizar o regime da Ilha, provocaram uma carta de  denúncia do então secretário geral do CMI, Konrad Raiser, dirigida ao presidente cubano Fidel Castro.

"Em vista da natureza sumária dos procedimentos, da gravidade das acusações e da severidade das penas no julgamento de  membros de  grupos de direitos humanos, estudiosos e dissidentes políticos, o Conselho Mundial de Igrejas considera que se cometeu um erro judicial", assinalava a missiva. Nela, pedia-se a revisão da sentença e a libertação dos dissidentes.

Por sua parte, o bispo encarregado das relações exteriores da Igreja Evangélica da Alemanha, rev. Rolf Koppe, assinalava que o governo de  Cuba tinha perdido a credibilidade por causa da crescente supressão dos direitos humanos fundamentais.

"O governo de Cuba tem que ser duramente criticado como os governos de outros estados que violam os direitos humanos das pessoas", afirmou Koppe.

Agora em  Porto Alegre um jovem delegado checo mencionou relatórios da Anistia Internacional sobre limites à liberdade de reunião, de  associação e de expressão em Cuba, que representam sérias violações dos direitos humanos. Ele pediu à Assembléia que condene essa situação nos termos mais firmes.

A pastora Rodhe González, presidenta do Conselho de  Igrejas de  Cuba, lamentou que a declaração não pedisse o levantamento imediato e incondicional do embargo contra a Ilha, como o fez reiteradamente nos últimos anos a Assembléia Geral de  Nações Unidas e o próprio Conselho Mundial de Igrejas.

Durante visita de  altos dignatários do CMI à Ilha, em  agosto do ano passado, o secretário geral do Conselho, Samuel Kobia, criticou o embargo como uma política unilateral do governo norte-americano cujos alcances iam além de  considerações econômicas e políticas, e demandou seu levantamento imediato por  razões éticas e humanitárias.

Acompanharam Kobia na visita a Dra. Bernice Powell-Jackson, da Igreja Unida de Cristo, dos Estados Unidos, uma das presidentas do CMI, e o próprio bispo Koppe. Não teve, nessa ocasião, referência alguma à situação dos direitos humanos em Cuba.

A pastora González disse a ALC que o parágrafo legitima critérios emitidos do exterior, que só ajudam a  intensificar o bloqueio, e recordou que existem canais entre o CMI e o governo de Cuba que podem ser utilizados com maior eficácia para esse tipo de  proposta.