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Domingo, 11 de Novembro de 2007

Igrejas não podem ficar alheias à miséria dos povos, diz Nobel da Paz

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Fevereiro 20, 2006

As igrejas devem ser consciência crítica levada às bases, porque aí está a raiz transformadora Taxi Heathrow Airport da sociedade. Elas têm um compromisso evangélico e não podem ficar alheias à pobreza e miséria dos povos latino-americanos, disse o professor e pacifista argentino Adolfo Perez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz de 1980.

Em entrevista coletiva, ontem, antes da plenária sobre América Latina na IX Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), reunida nesta capital de 14 a 23 de fevereiro, Esquivel destacou que o Evangelho é libertador "ou não é Evangelho". Ele denunciou o "uso e abuso do nome de Deus" para justificar guerras e impor condições.

"Escrevi duas cartas ao presidente George Bush, dos Estados Unidos. Ele não me respondeu. Numa das cartas, escrevi que quando ele ora Deus tapa os ouvidos", contou Esquivel na entrevista coletiva. Todo o mecanismo de opressão econômica vem dos Estados Unidos, que apoiaram as ditaduras militares implantadas em países do Cone Sul na última metade do século passado.

Para tanto, 80 mil militares latino-americanos passaram pela Escola das Américas, no Panamá, ou receberam treinamento em academias militares norte-americanas, citou. Na atualidade, o grande desafio na região é o de vencer a imposição do pensamento único, de dominação, que não começa pelo econômico, mas pelo cultural, via meios de comunicação de massa.

Outra preocupação de Esquivel é com a crescente cultura da militarização e da violência. As igrejas, disse, precisam rechaçar essa cultura com a palavra/ação. Explicou que um prêmio Nobel é útil na medida em que for instrumento a serviço dos pobres. "Nós não temos nenhum poder, a não ser a palavra", afirmou. "Ela não pode ser vazia, porque é energia", frisou.

A teóloga metodista mexicana Elza Tamez assinalou, na entrevista coletiva, que a pobreza tem rosto feminino na América Latina, uma vez que mais atinge mulheres. Ela espera que o tema da IX Assembléia - Deus, em tua graça, transforma o mundo - seja o clamor do encontro das igrejas em Porto Alegre, e que se "reconheça o pecado estrutural que está matando a muitos" na região.

Também igrejas pentecostais estão preocupadas com esse quadro. "Quando a realidade nos une para fazer teologia e ela leva a falar de Deus, ai o ecumenismo fica mais fácil", afirmou. Junto com Nora de Cortiñas, uma das fundadoras do movimento argentino Mães da Praça de Maio, Tamez trouxe para a plenária de ontem da IX Assembléia o testemunho da atuação da igreja na América Latina.

Cortiñas espera que a Assembléia consiga reforçar a solidariedade voltada aos direitos humanos. A luta contra a violência, disse na entrevista coletiva, expande-se na luta contra a fome e a falta de emprego, que também são formas de violência.