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Domingo, 11 de Novembro de 2007

Líderes religiosos dos EUA lamentam política belicista de Bush

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Fevereiro 18, 2006

Líderes de igrejas dos Estados Unidos enviados à IX Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas Taxi Heathrow Airport (CMI) emitiram declaração lamentando, "com especial angústia", a guerrra no Iraque, que viola as normas globais de justiça e dos direitos humanos.

Numa espécie de confissão de culpa pela omissão de uma voz profética de igrejas dos Estados Unidos contra a política agressiva do presidente George Walker Bush de "guerra preventiva", o pronunciamento dos líderes religiosos lamenta pelos que morreram ou foram feridos na guerra e reconhecem,  "com vergonha, os abusos cometidos em nosso nome".

Em entrevista coletiva, a presidente da Igreja Cristã Discípulos de Cristo, Sharon Watson, disse que nesta Assembléia encontraram pais de filhos e filhas que estão sendo dilacerados pela guerra, de crianças que passam fome. "São co-irmãs e co-irmãos que têm suas vidas afetadas por nossas decisões", disse.

O presidente da Igreja Unida de Cristo, John Thomas, contou na coletiva que tem viajado pelo mundo, visitando igrejas, e descobriu que os Estados Unidos são vistos como "uma nação perigosa" por causa da sua política belicista, por fracassarem na defesa ambiental e na eliminação da pobreza.

No documento apresentado à imprensa os líderes religiosos afirmam que depois do ataque terrorista de 11 de setembro os Estados Unidos exigem um lugar seguro e privilegiado no mundo, "espalhando terror na vizinhança global contra os que são vulneráveis".

Nesse mesmo processo, "nações foram demonizadas e Deus arrolado em agendas nacionais, quase tendendo a uma idolatria". Segundo experiência que tiveram, líderes com uma voz crítica à administração Bush não são bem-vindos na Casa Branca.

O moderador da Conferência dos Estados Unidos para o CMI, reverendo ortodoxo Leonid Kishkovsky, disse, na coletiva, que gostariam muito de discutir teologicamente todas essas questões com o presidente Bush, que é metodista.

Mesmo porque, acrescentou o presidente do Conselho Nacional de Igrejas dos Estados Unidos, Michael Livingston, "o ataque ao Iraque começou sob uma nuvem de decepção e engano". Ele destacou que nem mesmo com a sua denominação, a Igreja Metodista Unida, Bush tem dialogado, "preferindo outras pessoas".

Kishkovsky admitiu que nem todos os membros da Igreja Ortodoxa dos EUA apoiariam o documento apresentado à Assembléia, de críticas e questionamento à administração Bush. "Ao regressar, talvez terei que relatar na minha igreja o que ouvi aqui: que igrejas ortodoxas do Oriente Médio e da Europa não apoiam a política dos Estados Unidos", adiantou.

O documento dos líderes religiosos norte-americanos também entra em questões ambientais. Enfatiza que a criação não pode continuar sendo violada e mostra preocupação com o aquecimento global. "Nós consumimos sem repor; nós arrancamos recursos finitos como se fossem possessão privada; nosso apetite incontrolado devora mais e mais os presentes que a Terra dá", destacaram.

O documento foi apresentado à imprensa pelos reverendos Kishkovsky,Thomas, Livingston, pela pastora Sharon Watson e pelo secretário geral da Junta Geral da Igreja dos Irmãos, Stan Noffsinger.