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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007

Feijão, arroz e carne

PORTO ALEGRE, Brasil, Janeiro 25, 2006

Existe um prato típico que esteja à mesa do brasileiro de Norte a Sul do Taxi Heathrow Airport país? Existe, sim. O feijão com arroz e carne tem quase a unanimidade nacional. O tipo de carne pode variar: o bife está presente em diferentes pratos; a carne de sol acompanha o cardápio nordestino; a costela ou a chuleta preenchem o prato do gaúcho, a carne relada faz parte da culinária catarinense, paranaense, carioca.

 O pretinho básico – o feijão preto – resiste bravamente à macdonaldização do meio-dia brasileiro. “Somos o que comemos”, explicou a professora Renata Menasche, da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), em entrevista para a revista IHU-On Line, do Instituto Humanitas, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). A alimentação é marcadora de identidade, agregou.

 A identidade regional no Brasil acontece pela comida também. “Cada região possui hábitos alimentares próprios, mas também pratos emblemáticos, que servem como marcadores identitários regionais”, apontou a professora. O feijão com arroz e – ah, sim, esse não pode faltar, a farinha de mandioca – está presente em todas as classes sociais, no dia-a-dia e nos momentos festivos, principalmente quando o que está na mesa é a famosa feijoada.

 O que hoje é denominada de cozinha brasileira “é resultado de uma grande mistura de elementos, das mais diversas procedências”, assinalou Menasche. Os hábitos culinários, a receita da vovó, trazida pelos descendentes de alemães, italianos, poloneses, japoneses, somou-se à rica modalidade de preparo de pratos típicos que as mulheres negras introduziram no cardápio português, somado ainda à culinária indígena da terra de Santa Cruz.

 Na pesquisa que a professora Ellen Fensterseifer Woortmann, e o seu marido, professor Klass Woortmann, desenvolvem na Universidade de Brasília, percorrendo o sertão do Nordeste eles observaram que os camponeses têm claros padrões etnonutricionais, pelos quais qualificam, por exemplo, tipos de carnes em fortes e fracas.

 Assim, a carne de caça é a mais forte, seguida pela de porco, pela carne de rês, depois pela carne de frango, das variedades de peixe. “Já de acordo com a matriz cognitiva dos colonos teuto-brasileiros, há comidas fortes e fracas por natureza, sendo que essas últimas podem ser preparadas de forma a se tornarem fortes”, explicou a professora.

 Uma comida “fraca” como o aipim, cozido na água e sal, pode ser consumida por pessoa fraca ou doente. Já o mesmo aipim, quando preparado com cobertura de gordura de porco com farinha de mandioca, é comida adequada para quem despende muita energia no trabalho. 

 O visitante estrangeiro que desembarcará em Porto Alegre para participar da IX Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) encontrará, na capital gaúcha, uma gama de serviços gastronômicos, desde a oferta de um variado sanduíche aberto ou cachorro quente servido em barzinhos da Cidade Baixa (bairro da capital), até a sofisticação de pratos típicos de vários países do mundo.

 A oferta de restaurantes vai desde o exotismo de pratos tailandeses até o característico churrasco, passando pela cozinha alemã, árabe, chinesa, francesa, italiana, japonesa e portuguesa. Casas especializadas servem, ainda, desde o galeto com polenta e massa, típica da imigração italiana, até pizzas, feijoada e pescados. Mas o mais típico no Rio Grande do Sul é, sem dúvida, o churrasco de carne de rês servido no espeto. Esse cardápio está presente em todos os bairros da capital e faz jus às lides campeiras, que marcam as tradições do gaúcho.