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Domingo, 11 de Novembro de 2007

Pesquisador destaca virtudes do catolicismo

SAO LEOPOLDO, Brasil, Janeiro 25, 2006

"O catolicismo ainda é a religião mais tradicional e a mais simbolicamente rica de apelos, Taxi Heathrow Airport mas não é e nem será mais a única. E, para um número crescente de pessoas, não é sequer a mais confiável, a mais atraente e a mais eficaz".

A opinião é do professor e pesquisador Carlos Rodrigues Brandão, da Universidade de Campinas (Unicamp). Em entrevista para a Revista IHU, do Instituto Humanitas da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Brandão definiu o catolicismo como uma religião em que Deus pode ter muitos rostos.

"Bem mais do que os três da Santísssima Trindade. É uma religião que acolhe formas diversas e até opostas de se ser dela", afirmou. Na religiosidade popular dos brasileiros, o catolicismo "é uma religião do padre e da puta, do policial e do bandido, do fiel paroquiano da Renovação Carismática e de pessoas como eu e tantas outras que, na porta da igreja do bairro, se perguntam: 'Entro ou não entro?''Comungo ou não comungo?''Sou católico ainda ou já não sou mais?'"

Na prática do dia-a-dia, o catolicismo vivido pelo brasileiro "é uma rara religião que, em suas muitas faces, permite que você seja uma forma de presença nela, mesmo quando você acha que não é mais dela", apontou Brandão.

Ex-integrante da Ação Católica, o professor universitário com pós-doutorado na Universidade de Perúgia, Itália, enxerga o catolicismo como "uma das mais abertas e generosas religiões do nosso tempo". Cita, como exemplo disso, o caso de mulheres católicas que na vida diária seguem os seus preceitos pessoais, inclusive no âmbito da sexualidade, olvidando os ensinamento da igreja.

Uma coisa "é a 'nossa leitura dos Evangelhos' e, outra, a do Vaticano, a de 'meu bispo' e até mesmo a de 'meu pároco' quando ele não pensa como nós, isto é, como eu", mencionou. Daí sua conclusão de que o catolicismo é uma tradição cristã capaz de dialogar com diferentes alternativas pessoais, comunitárias e sociais de adesão e de presença em uma igreja vivida, em uma igreja praticada, em uma religião, apesar da igreja.

Brandão acredita que boa parte da força da Igreja Católica está "em sua impossibilidade de preservar-se como uma inigualável 'unidade religiosa', sem esta abertura - confessada ou não - a uma pluralidade de formas de ser, sentir-se e viver como um cristão-católico".

Ele também minimiza a transferência de fiéis católicos para outras religiões, para o pentecostalismo, ou mesmo o conjunto de pessoas que se declararam sem-religião no Censo que o Brasil realizou em 2000.

"O mais estranho é que nós defendemos a 'transdisciplinaridade', o 'multiculturalismo', o 'direito à diferença', a 'pluralidade de idéias e de valores' para tudo, a todos e em todos os campos. Mas, quando se trata do que parece estar ocorrendo com o catolicismo no Brasil e na América Latina de agora alguns acham isso 'preocupante'", justificou.

O mundo religioso, enfatizou, abriu-se, "escancarou portas e janelas, diversificou caminhos de escolha, dentro e fora da religião". O professor universitário também entende que as estatísticas escondem a realidade mais profunda da verdadeira vida e das identidades religiosas, sobretudo as cristãs.

"Qual é a identidade cristã de Rubem Alves, que foi pastor presbiteriano?" - pergunta. Ou de Leonardo Boff, que foi frade e é teólogo? E qual a de Frei Betto? "Não apenas Deus, mas a salvação e até a ajuda divina nas agruras do dia-a-dia agora existem em e emanam de várias fontes de fé", apontou o professor.