Um perfil de Porto Alegre
, PORTO ALEGRE, Brasil, Novembro 3, 2005
Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil, é uma Taxi Heathrow Airport cidade com dupla personalidade. A face cosmopolita é representada pelos 1,3 milhões de habitantes – descendentes de 25 etnias – a forte tradição cultural e localização privilegiada, no epicentro das principais rotas comerciais do Cone Sul. Entretanto conserva uma certa feição de terra natal, com sua extensa área rural e moradores suburbanos que ainda instalam cadeiras nas calçadas ao final da tarde.
Classificada três vezes como a primeira capital em qualidade de vida do Brasil pela Organização das Nações Unidas (Onu), a cidade têm 90% da população alfabetizada, amplo saneamento básico e coleta seletiva de lixo em 100% dos bairros. A aplicação dos investimentos públicos passa pelo crivo da população. Implantado há 16 anos, o Orçamento Participativo foi considerado um dos 40 melhores modelos de gestão pública democrática pelo Programa Habitat da Onu.
Em Porto Alegre nasceu o Fórum Social Mundial, em 2001. Reprisado três vezes na cidade e uma vez na Índia, trata-se do maior evento da história de humanidade em favor da justiça social. Em 2005 reuniu 120 mil pessoas de 170 países.
Irmã siamesa do grande lago Guaíba, a cidade é cercada por um anel de morros e possui mais de um milhão e árvores plantadas na zona urbana, além de sete grandes parques (14 milhões de metros quadrados) uma reserva biológica (77 hectares) e 700 praças.
Colonizada por portugueses, tornou-se mais tarde uma espécie de Babel da imigração européia, abrigando 25 etnias. Tamanha diversidade resultou em uma população de características híbridas. Um verdadeiro compêndio de tipos humanos palmilha as ruas da cidade. A cor das peles oscila do chocolate ao branco porcelana e a dos cabelos do amarelo linho ao negro intenso.
Pelo mesmo motivo, a cultura da cidade é rica em manifestações folclóricas, artigos típicos e culinária internacional autêntica, com receitas transmitidas de geração em geração nas colônias. Quitutes alemães e italianos, por exemplo, são tão populares como tradicional assado de carne tenra e sumarenta, chamado “churrasco”. Este é o prato típico dos sulistas, ou “gaúchos”, como se autodenomina o povo.
Além dos sulistas brasileiros, também são chamados gaúchos os moradores de algumas regiões do Uruguai e da Argentina, em especial os que vivem no campo, perto da fronteira com o Brasil. Apesar de falarem idiomas distintos, os três povos têm grande similaridade cultural. Entre estes hábitos comuns, destaca-se o de tomar “chimarrão”, uma espécie de chá comunitário onde a erva é acomodada no fruto seco da porongueira (a cuia) e, posteriormente sorvida por meio de um canudo de prata (a bomba). Esta espécie de ritual foi herdada dos índios e, como o churrasco, faz parte do marketing turístico da região.
Um dos principais portões de entrada de turistas estrangeiros no País, a cidade possui invejável estrutura urbana e tradição em turismo de eventos, sediando simpósios, encontros, seminários e congressos nacionais e internacionais. A cidade também ocupa terceiro lugar nas exportações nacionais e contribui com 8% do PIB.
Como a maioria das metrópoles latino-americanas, porém, Porto Alegre não está imune aos problemas sociais, como a subabitação, a mendicância e a violência urbana, embora seus índices sejam bem mais baixos do que outras metrópoles brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro. Outro drama local é a poluição do Guaíba, devido aos lançamentos de resíduos domésticos e industriais sem tratamento. Há mais de uma década está sendo implementado um vasto programa de despoluição das água de toda a bacia mas os resultados ainda são parciais. Um dos mais flagrantes foi a balneabilidade de duas praias na cidade.

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