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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2004

Ricardo Gondim, pastor da igreja Assembléia de Deus Betesda no Brasil
Ricardo Gondim, pastor da igreja Assembléia de Deus Betesda no Brasil

Bush se vale do fundamentalismo evangélico

SÂO PAULO, Brasil, Março 14, 2003

Programa transmitido pela cadeia de televisão norte-americana CNN, nesta semana, trouxe o pronunciamento de vários Taxi Heathrow Airport líderes religiosos dos Estados Unidos sobre os planos do presidente George Walker Bush de atacar o Iraque pela força militar.

Um bispo metodista e um sacerdote católico expressaram oposição à guerra. Mas apóiam a posição de Bush os evangélicos Max Lucado, John McArthur e Bob Jones.

Quase todas as grandes denominações protestantes e evangélicas dos Estados Unidos e do mundo, inclusive o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e a Igreja Católica, declararam que a guerra contra o Iraque é imoral, injusta e irracional. O presidente Bush conta, porém, com o apoio de aproximadamente 1.500 congregações evangélicas nos Estados Unidos e da Convenção Batista do Sul.

O pai de George Bush, o ex-presidente norte-americano que tem o mesmo nome do filho, era um respeitado membro da Igreja Episcopal. Bush filho assistia a igreja enquanto criança, depois se afastou e tornou-se conhecido por sua conduta desordenada.

Ao se casar com Laura, em 1977, ingressou na Igreja Metodista. Mas em 1985, segundo a revista Newsweek, Bush gostava da bebida e teve que retornar à igreja para salvar o seu casamento e manter-se na família.

Quando apoiou a campanha presidencial do pai, em 1987, Bush converteu-se e engajou-se a grupos evangélicos. Sua atividade foi decisiva para conquistar os crentes rurais do Texas, até então partidários dos democratas.

Atualmente, os evangélicos mais apegados à Bíblia constituem o principal respaldo de Bush e converteram-se em peças chave da campanha para a reeleição, no próximo ano. Poucos duvidam de que a fé de Bush seja sincera, diz a Newsweek. O problema é a evidente convicção de Bush de que ele está fazendo o que Deus quer, destaca o semanário na sua edição de 10 de março.

O pastor Ricardo Gondim, da Assembléia de Deus Betesda, de São Paulo, declarou que a forma como os líderes evangélicos norte-americanos apoiaram Bush no programa de Larry King lhe provocou náuseas. “Não tiveram escrúpulos para citar a Bíblia em defesa da política imperialista e sórdida da direita republicana”, afirmou.

Segundo Gondim, esses líderes atuaram com a mesma cegueira com que os religiosos contemporâneos de Jesus não conseguiram ver o amor de Deus em Jesus Cristo, porque eram mais judeus que humanos.

Com o pretexto de defender seu país, os falcões militares que aconselham Bush usaram os atentados terroristas de 11 de setembro como pretexto que necessitavam para dominar o Oriente Médio, onde brota o melhor, e de forma abundante, petróleo do mundo, apontou Gondim.

“Repugnou-me John McArthur, quando disse que o inferno aguarda os muçulmanos, sem mostrar compaixão. Esse fundamentalista, inimigo dos pentecostais, dos liberais e de todos os que não lêem literalmente a Bíblia, me deu medo. Pareceu-me ver em seu semblante a cara dos que queriam apedrejar a mulher adúltera”, comparou.

O pastor brasileiro também ficou assustado com o “rosto cínico” de Bob Jones. “Falava com ódio e ria ao mesmo tempo. Ele argumentou que as autoridades foram constituídas por Deus para castigar os maus. O mesmo sustentava a ditadura militar brasileira”, lembrou.

O sorriso cínico de Jones fez Gondim recordar a elite religiosa que apedrejou Estevão. Para o pastor brasileiro, Max Lucado mostrou-se pusilânime e repulsivo, pois disse que confia no presidente Bush porque ele é cristão e ora antes de tomar decisões. “Quanto simplismo! O general Oliver North, assessor que financiava os terroristas, era membro de uma igreja pentecostal, orava e conversava com seu presidente antes de qualquer decisão”, frisou.

Quando Larry King encerrou o programa “arrependi-me do dia em que me sentei à mesa com esses senhores. Chorei porque a profecia, o amor de muitos se enfraquecerá, está se cumprindo. O Iraque vai capitular. Sadam Hussein morrerá. O petróleo chegará abundante ao guloso mercado norte-americano. Mas nunca mais serei o mesmo. Jamais voltarei a chamar de reverendo um líder religioso da estirpe desses três senhores”, concluiu Gondim.