
Bush se vale do fundamentalismo evangélico
SÂO PAULO, Brasil, Março 14, 2003
Programa transmitido pela cadeia de televisão norte-americana CNN, nesta semana, trouxe o pronunciamento de vários Taxi Heathrow Airport líderes religiosos dos Estados Unidos sobre os planos do presidente George Walker Bush de atacar o Iraque pela força militar.
Um bispo metodista e um sacerdote católico expressaram oposição à guerra. Mas apóiam a posição de Bush os evangélicos Max Lucado, John McArthur e Bob Jones.
Quase todas as grandes denominações protestantes e evangélicas dos Estados Unidos e do mundo, inclusive o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e a Igreja Católica, declararam que a guerra contra o Iraque é imoral, injusta e irracional. O presidente Bush conta, porém, com o apoio de aproximadamente 1.500 congregações evangélicas nos Estados Unidos e da Convenção Batista do Sul.
O pai de George Bush, o ex-presidente norte-americano que tem o mesmo nome do filho, era um respeitado membro da Igreja Episcopal. Bush filho assistia a igreja enquanto criança, depois se afastou e tornou-se conhecido por sua conduta desordenada.
Ao se casar com Laura, em 1977, ingressou na Igreja Metodista. Mas em 1985, segundo a revista Newsweek, Bush gostava da bebida e teve que retornar à igreja para salvar o seu casamento e manter-se na família.
Quando apoiou a campanha presidencial do pai, em 1987, Bush converteu-se e engajou-se a grupos evangélicos. Sua atividade foi decisiva para conquistar os crentes rurais do Texas, até então partidários dos democratas.
Atualmente, os evangélicos mais apegados à Bíblia constituem o principal respaldo de Bush e converteram-se em peças chave da campanha para a reeleição, no próximo ano. Poucos duvidam de que a fé de Bush seja sincera, diz a Newsweek. O problema é a evidente convicção de Bush de que ele está fazendo o que Deus quer, destaca o semanário na sua edição de 10 de março.
O pastor Ricardo Gondim, da Assembléia de Deus Betesda, de São Paulo, declarou que a forma como os líderes evangélicos norte-americanos apoiaram Bush no programa de Larry King lhe provocou náuseas. “Não tiveram escrúpulos para citar a Bíblia em defesa da política imperialista e sórdida da direita republicana”, afirmou.
Segundo Gondim, esses líderes atuaram com a mesma cegueira com que os religiosos contemporâneos de Jesus não conseguiram ver o amor de Deus em Jesus Cristo, porque eram mais judeus que humanos.
Com o pretexto de defender seu país, os falcões militares que aconselham Bush usaram os atentados terroristas de 11 de setembro como pretexto que necessitavam para dominar o Oriente Médio, onde brota o melhor, e de forma abundante, petróleo do mundo, apontou Gondim.
“Repugnou-me John McArthur, quando disse que o inferno aguarda os muçulmanos, sem mostrar compaixão. Esse fundamentalista, inimigo dos pentecostais, dos liberais e de todos os que não lêem literalmente a Bíblia, me deu medo. Pareceu-me ver em seu semblante a cara dos que queriam apedrejar a mulher adúltera”, comparou.
O pastor brasileiro também ficou assustado com o “rosto cínico” de Bob Jones. “Falava com ódio e ria ao mesmo tempo. Ele argumentou que as autoridades foram constituídas por Deus para castigar os maus. O mesmo sustentava a ditadura militar brasileira”, lembrou.
O sorriso cínico de Jones fez Gondim recordar a elite religiosa que apedrejou Estevão. Para o pastor brasileiro, Max Lucado mostrou-se pusilânime e repulsivo, pois disse que confia no presidente Bush porque ele é cristão e ora antes de tomar decisões. “Quanto simplismo! O general Oliver North, assessor que financiava os terroristas, era membro de uma igreja pentecostal, orava e conversava com seu presidente antes de qualquer decisão”, frisou.
Quando Larry King encerrou o programa “arrependi-me do dia em que me sentei à mesa com esses senhores. Chorei porque a profecia, o amor de muitos se enfraquecerá, está se cumprindo. O Iraque vai capitular. Sadam Hussein morrerá. O petróleo chegará abundante ao guloso mercado norte-americano. Mas nunca mais serei o mesmo. Jamais voltarei a chamar de reverendo um líder religioso da estirpe desses três senhores”, concluiu Gondim.

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