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Segunda-feira, 31 de Maio de 2004

Mulheres do Líbano comentam a guerra e o êxodo

Edelberto Behs, JOINVILLE, Brasil, Março 10, 2003

A Comunidade Evangélica de Joinville abriu, na sexta-feira, 7, as portas da Igreja da Paz, Taxi Heathrow Airport no centro, para a celebração do culto pela passagem do Dia Mundial de Oração de 2003. A liturgia do culto desta edição foi formulada por mulheres do Líbano.

Um mapa do Oriente Médio acompanhado da bandeira do Líbano, dependurados no púlpito da Igreja da Paz, ajudou os participantes da celebração a localizarem a terra dos cedros, de beleza e de perfume, como descrita no Cântico de Salomão.

A liturgia do Dia Mundial da Oração lembrou uma tradicional saudação libanesa: "Ahlan wa sahlan!", que quer dizer, literalmente, "família e campo". Trata-se de abreviação, em árabe, de boas-vindas aos forasteiros, para que se sintam em família e se estabeleçam em terra plana.

Atalla Akrouche, 71 anos, católico, um libanês radicado há 47 anos no Brasil e vivendo 46 anos em Joinville, dono de restaurante árabe na cidade, falou a mulheres e homens luteranos sobre o seu país. A comunidade libanesa no Brasil é maior que a população do Líbano, disse.

O Líbano tem 4 milhões de habitantes; 14 milhões de libaneses vivem na diáspora, 7 milhões deles estão no Brasil. Assim como Atalla emigrou em busca de melhores dias, jovens libaneses deixam o seu país natal nos dias de hoje por causa da instabilidade econômica e política da região.

A posição estratégica do Líbano no Oriente Médio, junto ao Mar Mediterrâneo, fez do país um corredor entre o ocidente e o oriente. O país conquistou a independência em 22 de novembro de 1943.

A liturgia do Dia Mundial de Oração remeteu ao convite das libanesas "que durante 17 anos de terrível guerra (civil) passaram, com resignação, pelas mais difíceis circunstâncias de vida e por necessidades econômicas".

"A guerra teve origens religiosas", relatou Atalla. Depois que veio ao Brasil, em 1956, Atalla retornou ao seu país natal uma vez mais, em 1970. A guerra matou seus pais e boa parte da parentela. Ainda tem sobrinhos vivendo no Líbano.

Vestindo roupa branca, típica, e portando o "kafi arn" (uma espécie de tiara de pano na cabeça), Atalla explicou que o Líbano é o único país do Oriente Médio que tem presença cristã no governo. O presidente da República tem que ser um cristão maronita, o primeiro-ministro muçulmano e o presidente do Congresso um xiita.

Metade da população libanesa segue o islamismo e a outra metade o cristianismo. Atualmente existem 18 comunidades e facções religiosas no Líbano. Todos os grupos praticam seus ritos em total liberdade.

O Dia Mundial de Oração é um movimento que aproxima mulheres de diferentes raças, culturas e tradições, com o intuito de estreitar o seu relacionamento e a compreensão mútua. As mulheres são encorajadas a se conscientizarem a respeito do que acontece no mundo e se enriquecerem com as experiências de fé vividas por cristãos de outros países.

O movimento foi iniciado por mulheres em 1887 e hoje está presente em 170 países. Ele é simbolizado pela celebração anual, que acontece na primeira sexta-feira do mês de março.

No ano passado, o Dia Mundial coletou 20 mil reais (cerca de 5,7 mil dólares) no Brasil, que foram distribuídos para três organismos que trabalham com crianças.

O dinheiro recolhido no último dia 7 será canalizado para a Associação Beneficente Evangélica Lagunense em Maracajú, Mato Grosso do Sul; para a Associação Reviver Down, de Curitiba; e para a Casa da Esperança de Cabuçu, de Guarulhos, São Paulo. Todos eles voltam suas atividades para as crianças.