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Quinta-feira, 20 de Março de 2003

Pastor teme convulsão em Chamula

SAN CRISTÓBAL DE LAS CASAS, México, Fevereiro 14, 2003

A qualquer momento pode acontecer um massacre em Chamula, alerta o pastor evangélico Esdras Alonso González, que também é advogado dos Direitos Humanos em Chiapas.

Caciques tradicionalistas, líderes de comunidades rurais na região, empreendem verdadeira perseguição a evangélicos das nações indígenas tzotzil e tzeltal e até mesmo à facção católica tradicionalista que não aceita a liderança dos caciques.

Essa facção de católicos tradicionalistas segue uma religião diferente dos evangélicos, "mas compartilha os mesmos objetivos", disse o pastor Esdras em entrevista para a missão Portas Abertas. Ele lamenta que a imprensa e o Estado mexicanos não compreendam o que está acontecendo em Chiapas.

"Eles (imprensa e Estado) criticam os evangélicos por pegarem em armas. Eles não sabem que existem muitos grupos diferentes dentro de Chamula – samuelistas, militantes do Partido Democrático Revolucionário, zapatistas – que estão lutando por poder político. Esses grupos são acusados pela imprensa apontando sempre o dedo para a igreja evangélica", assinalou o pastor na entrevista.

Esdras é pastor da igreja Asas de Águia, uma rede independente de congregações que fundou há seis anos e que reúne 2.200 membros. Em 1993, transferiu-se para San Cristóbal, onde logo se envolveu com os índios tzotzil e tzeltal, tomando conhecimento das perseguições que sofrem. A maioria desses índios, contou na entrevista, sofreu 40 anos de maus tratos nas mãos dos caciques tradicionalistas.

O pastor Esdras logo conheceu o advogado Abdicas Tovilla, dos Direitos Humanos, que lhe informou a respeito da situação dessas comunidades indígenas. Colegas pastores, ao contrário, recomendaram que ele não se envolvesse com os índios. "Os cristãos indígenas eram totalmente ignorados, por isso comecei a ajudá-los por mim mesmo", relatou.

Essa foi uma opção que lhe trouxe muita dor de cabeça, ameaças de morte, perseguição à família, medo de emboscadas. "O fato de eu estar dispensando muito tempo aos cristãos indígenas não foi visto favoravelmente na denominação onde eu trabalhava", frisou.

Em julho de 1996 teve de escolher se continuaria na defesa dos cristãos étnicos. "Decidimos renunciar a todos os privilégios ministeriais que tínhamos e começamos do zero, sem apoio financeiro, nada", relatou. Agora, procura se especializar na área da jurisprudência para oferecer aos cristãos perseguidos uma assistência legal mais ampla.

O pastor acredita que o que acontece na região é uma batalha espiritual, entre forças espirituais. "Temos de realizar uma campanha de compaixão, de oração. Orar para que o povo de Deus fique livre das forças do inimigo. Também orar para que a liderança pastoral supere suas diferenças e busque a união", recomendou na entrevista.

Esdras menciona, ainda, o apoio que evangélicos têm recebido de católicos romanos filiados à Diocese de San Cristóbal e de pessoas ligadas à organização de Direitos Humanos Frei Bartolomeu de las Casas que vivem em Chamula.

Destaca, na entrevista, que há pessoas interessadas em usar a igreja evangélica como bode expiatório e impedir a evangelização. "Acredite – disse -, facções têm sido identificadas em Chamula como interessadas em criar conflito, primeiro para desestabilizar o governo, e, depois, para criar grupos especiais de interesse".