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Segunda-feira, 31 de Maio de 2004

Todos têm direito de acesso à água, defende CMI

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Janeiro 31, 2003

O acesso à água é um direito humano. Assim como a terra e o ar, Taxi Heathrow Airport a água é um elemento da Criação de Deus. Para a Igreja, ela tem um significado espiritual. "O Batismo se dá pela água", lembrou o coordenador do Programa de Justiça Econômica do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Rogate Mshana.

O CMI, disse Rogate em entrevista à ALC, defende a democratização da distribuição da água.

Rogate participou da oficina "Espiritualidade da resistência", desenvolvida no 3. Fórum Social Mundial, que esteve reunido em Porto Alegre de 23 a 28 de janeiro.

"Presenciamos o desenvolvimento de uma espiritualidade que apoia os poderes responsáveis do atual processo de globalização corporativa, que é injusto e inviável", afirmou o tanzaniano.

Por isso, emendou, é necessário resgatar a larga tradição de espiritualidade cristã crítica do poder, que deu aos despossuídos de poder força e coragem para opor-se aos que dele abusam.

O mercado é imoral e não é justo que só receba água potável quem possa por ela pagar, defendeu.

Hoje, a água representa um negócio bilionário. Há quem calcule que a comercialização da água já equivalha a 40% do montante da venda do petróleo. Não é possível, alertou Rogate, que se explore os mananciais de água infinitamente, como se fosse uma fonte inesgotável. "A tecnologia não consegue resolver tudo", frisou.

Em outro painel desenvolvido durante o Fórum, a representante da organização Amigos da Terra, Silvia Quiroa, de El Salvador, defendeu que a água fique nas mãos da comunidade. O CMI, revelou Rogate, defende a mesma posição.

"Em El Salvador, as doenças provocadas pela água contaminada são a segunda causa mais freqüente de morte infantil de crianças com menos de um ano de idade", informou Quiroa. Nos cinco continentes, mais de 6 mil crianças morrem a cada dia por causa de enfermidades relacionadas com a falta de água tratada, como cólera e diarréia.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que quase 1 bilhão de pessoas do planeta não tem acesso adequado à água. No Brasil, 9 milhões de famílias estão nessa condição, segundo a WWF-Brasil.

A rede Social Watch analisou o processo de privatização do fornecimento de água em 52 países e concluiu que a passagem desse serviço à iniciativa privada dificultou o acesso dos pobres ao líquido.

Em termos comparativos, os pobres acabam pagando até 20 vezes mais do que os ricos pelo consumo de água. "São os ricos que devem subvencionar a águas aos pobres", arrolou Rogate.

Segundo a Social Watch, a privatização da água elevou as tarifas, em muitos casos não melhorou a qualidade dos serviços e nem aumentou a cobertura de fornecimento.