CLAI pede que potências respeitem direito internacional
QUITO, Ecuador, Janeiro 31, 2003
O Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) destaca, em pronunciamento aprovado pela sua Junta Diretiva reunida Taxi Heathrow Airport em São Paulo, dias 20 a 22 de janeiro, que uma guerra no Oriente Médio é eticamente inaceitável. Essa guerra, entende, está baseada na soberba da força e do poder que aspira ter e controlar importantes recursos naturais.
"Lembramos aos governos dos Estados Unidos e Inglaterra a obrigação de que suas ações tenham como marco o mais estrito respeito ao direito internacional. Do contrário, despojaria de força moral os esforços da comunidade internacional e reviveria nas relações internacionais a repudiada prática da lei do mais forte", destaca a declaração do CLAI.
O documento lembra que a IV Assembléia Geral do CLAI, reunida em Barranquilla, Colômbia, em janeiro de 2001, afirmou a necessidade do estabelecimento da paz com justiça social, e rechaçou todo ato que atente contra a dignidade e a vida das pessoas e contra toda a Criação de Deus.
"A guerra como um meio para resolver os problemas entre os países é injustificável. Não existe nenhum modo de apresentar qualquer conflito bélico baseado no princípio da justiça. A guerra é moral e eticamente inaceitável, e é sempre uma derrota para a humanidade", afirmam os dirigentes do organismo ecumênico continental.
E acrescentam: "As atitudes que ignoram os consensos da comunidade das nações e conduzem a decisões unilaterais significam uma violação explícita do direito internacional".
Dirigindo-se aos governantes de Washington e Londres, o CLAI pede que "respeitem o consenso majoritário da opinião pública que, em seus próprios países e em todo o mundo, exige que se dê um ponto final à linguagem e aos preparativos bélicos, que só contribuem para fomentar um clima de insegurança e terror".
OCLAI pede ao governo do Iraque que coopere com os inspetores das Nações Unidas, declarando todos os seus programas de armamento, de modo especial os que têm a ver com a produção de agentes químicos e biológicos.
"Só essa cooperação sem reservas pode assegurar à opinião pública e aos governos que o Iraque tem verdadeiramente a vontade de cumprir a resolução 1.441 das Nações Unidas e abandonar suas passadas e nefastas políticas de agressão contra os seus vizinhos", destaca o documento do CLAI.
E termina reportando-se às Nações Unidas e "ao concerto das nações, para que não recuem nos esforços para que o povo do Iraque possa desfrutar de seus direitos humanos, num ambiente de segurança e paz com os seus vizinhos e com todo o mundo. A primeira vítima da guerra é a razão. Nossa fé em Deus nos faz perseverar nos caminhos da paz".

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