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Segunda-feira, 31 de Maio de 2004

Campanha pelo comércio justo vai evocar Direitos Humanos

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Janeiro 30, 2003

A Aliança Ecumênica de Ação Mundial vai convidar as igrejas de todos os cantos do Taxi Heathrow Airport mundo a se engajarem, no decorrer deste ano, na campanha internacional pelo comércio justo, iniciada no final do ano passado e prevista até 2005.

A campanha enfatiza que os princípios dos Direitos Humanos devem guiar a formulação e a aplicação da política econômica.

Uma balança desalinhada, com peso maior para um dos lados, é o símbolo da campanha, que tem por lema "Um comércio a serviço das pessoas e não as pessoas ao serviço do comércio".

A campanha vai centrar atenções na promoção de normas comerciais que promovam o direito à alimentação, a seguridade alimentar para todos e a agricultura sustentável.

Vai exigir, também, a regulamentação das transnacionais, procurando envolve-las na erradicação da pobreza e na proteção do meio ambiente. E vai se empenhar na exigência de políticas e normas nacionais e mundiais de comércio que garantam o acesso de todos aos serviços essenciais, com base nos princípios dos direitos humanos.

Um caderno motivador da campanha explica que, segundo a Bíblia, os critérios que devem reger a atividade econômica, em particular o comércio de bens e serviços, são a justiça e a opção pelos pobres.

"Somos inspirados pelo conceito de justiça do Antigo Testamento, pelo qual os profetas impugnavam as injustiças sociais e o comércio internacional", diz o texto motivador. O conceito de justiça do Antigo e do Novo Testamentos só dá uma alternativa: ficar do lado dos pobres e oprimidos.

O comércio, destaca o texto motivador, é uma ação básica em qualquer sociedade. Mas ao invés de ser um meio que partilha as riquezas da terra e os resultados do trabalho humano, o comércio significa, com freqüência, uma força que gera pobreza, desesperança, injustiça e morte.

A Aliança Ecumênica de Ação Mundial entende que as desigualdades no comércio constituem uma das causas mais importantes da injustiça econômica.

O comércio, frisa a Aliança, não é um fim em si mesmo, mas deve ser instrumento para a promoção do bem-estar humano, de comunidades e da justiça econômica.

A campanha quer fazer um chamamento aos governos para que reformulem os acordos comerciais em vigor, levando em conta as normas dos direitos humanos, a proteção do meio ambiente e a necessidade de erradicar a pobreza.

A campanha pretende atacar de frente a venda aos países pobres de produtos subsidiados, a preços baixos, procedentes das nações ricas.

Mas também vai fazer frente às pressões em favor da privatização e liberalização do comércio, além de procurar facilitar a colocação de produtos agrícolas gerados pelos países em desenvolvimento nos mercados dos países ricos, dando prioridade a produtos ecológicos e procedentes de pequenos agricultores.

A Aliança Ecumênica defende o direito à alimentação para todas as pessoas e o acesso eqüitativo à água, educação, saúde e informação. Os primeiros abaixo-assinados em favor de um comércio justo, que serão coletados mundo afora neste ano, serão entregues na Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), que terá lugar em Cancun, México, de 10 a 14 de setembro.

O Conselho Mundial de Igrejas e a Federação Luterana Mundial, que integram a Aliança Ecumênica de Ação Mundial, organizaram oficina no 3. Fórum Social Mundial (FSM), na segunda-feira, para a qual convidaram um representante da Christian Aid e outro do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) para mostrar como esses organismos desenvolvem campanhas.

"As igrejas têm poder de mobilizar as pessoas", disse o representante da Christian Aid, Martin Drewry, lembrando que em nenhuma outra época as igrejas tiveram tantas condições, como hoje, de motivar pessoas, organizações sociais e populares para mudar as relações comerciais injustas.

O representante do CLAI na mesa de debates, Angel Luis Rivera, lembrou que o sistema vigente quer isolar o povo das informações e que as organizações internacionais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacioinal, aproveitam-se desse desconhecimento.

Disse que o CLAI, nas suas campanhas, vincula Bíblia e realidade, e desenvolve uma metodologia fortemente bíblica, seguindo o processo de Paulo Freire de conscientização popular.