![Martin Ruppenthal, representante da Christoffel-Blindenmission (CBM) [Foto: José Aurelio Paz]](/picture/Ruppental.jpg)
Estado, ONG e Igreja combatem catarata
José Aurelio Paz, CAMAGÜEY, Cuba, Janeiro 29, 2003
O Programa de Saúde Ocular, do Ministério da Saúde, em cooperação com a organização alemã Taxi Heathrow Airport Christoffel-Blindenmission (CBM) e o Conselho de Igrejas de Cuba (CIC), realizou mais de 11 mil cirurgias de catarata no ano passado.
O representante regional da CBM, Martin Ruppenthal, que participou do II Seminário Nacional de Prevenção à Cegueira, reunido nesta cidade, qualificou o programa cubano como um dos melhores da América Latina "pela seriedade e organização com se tem trabalhado".
"Saímos desse encontro muito contentes e na certeza de que, a longo prazo, vamos alcançar 4 mil operações por ano, ou seja, 45 mil cirurgias em todo o país", declarou.
Ruppenthal destacou as facilidades que um sistema de saúde bem estruturado proporciona, garantindo o funcionamento da rede oftalmológica dos hospitais com bons profissionais. "Também contamos com a educação da saúde comunitária, que a população possui", disse.
Os representantes da CBM visitaram alguns dos 17 hospitais que vão aplicar a moderna técnica cirúrgica. O programa deverá ser estendido ao município de Manzanillo (com cerca de 400 mil habitantes), na província de Granma, além de criar uma clínica móvel, que prestará assistência em áreas rurais, de modo especial na zona montanhosa, de difícil acesso, na parte oriental da ilha.
O Programa de Saúde Ocular cubano é sustentado, economicamente, em 75% pelo governo alemão, através da CBM, organismo que também assume os outros 25% dos custos. Além da cura da catarata, o Programa oferece assistência médica aos pacientes com glaucoma e outras doenças dos olhos. Está sendo estruturada a implementação, como terceira fase, de projeto destinado às pessoas de baixa visão.
Concluída a ajuda, a CBM empreenderá mais uma etapa, proporcionando insumos, enquanto o governo cubano terá que garantir a sustentabilidade futura do projeto, segundo acordo firmado com o Ministério da Saúde.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que dos 11,25 milhões de cubanos e cubanas, em torno de 168 mil sofrem de baixa visão, e, desses, 15 mil a 30 mil são crianças.
"As maiores dificuldades estão nas barreiras mentais que ainda existem em alguns profissionais especialistas da área", disse a responsável do programa pela Área de Vida Plena e Saúde Comunitária do CIC, Eliana Ceballo.
O que antes era, pela via tradicional, uma cirurgia complexa, agora, com esse novo método de lente intraocular, ela é realizada em dez minutos e com um nível de risco muito mais baixo para o paciente, além da vantagem de não precisar usar grossas lentes, explicou Eliana.
O diretor da Unidade Nações e Projetos, do Departamento de Relações Internacionais do Ministério da Saúde, Ángel Hechavarría Puente, destacou que o Programa de Saúde Ocular é um exemplo de como dá para trabalhar de maneira cooperada entre o Ministério, o Conselho de Igrejas e a CBM.
"Ele é referência a outros projetos", disse. A ausência de uma lista de espera de pessoas que querem realizar a cirurgia da catarata em Cuba é "a evidência mais cabal de seu êxito", frisou.

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