Voltar ao início

Domingo, 21 de Novembro de 2004

Guillermo Osorno, presidente questionado do PCC
Guillermo Osorno, presidente questionado do PCC

Dinheiro e poder colocam Caminho Cristão na rota da crise

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Janeiro 23, 2003

O Conselho Político nacional do partido Caminho Cristão (PCC) decidiu, em reunião de emergência realizada Taxi Heathrow Airport no último dia 20, expulsar dois deputados e outros oito afiliados, entre eles integrantes da direção do partido, depois de vir instalada uma crise interna provocada por quotas de poder e dinheiro.

A crise ganhou proporções depois que os deputados Orlando Tardencilla e Mariano Suárez denunciaram, publicamente, o entreguismo do presidente do partido, Guillermo Osorno, aos liberais.

A bancada liberal na Assembléia Nacional é coordenada pelo ex-presidente da República, Arnoldo Alemán, que está recolhido na sua fazenda "Los Chiles", onde guarda prisão domiciliar, condenado por fraudar e lavar dinheiro do Estado.

Além de Tardencilla e Suárez, foram expulsos do PCC o secretário da organização política, Uri Rojas Videa, e seu irmão, Omar Rojas Videa. Rojas foi um dos fundadores do PCC. No dia 17 passado, ele denunciou que Osorno tem 17 assessores fantasmas empregados, entre eles sua irmã, e que em um ano esse custo somará mais de 70 mil dólares.

Disse, ainda, que não suportou o verticalismo de Osorno, ao nomear a dedo os candidatos a deputado federal e os candidatos ao Parlamento centro-americano.

"A Osorno só interessa seus negócios e continuar como deputado à custa do apoio ao ex-presidente mais corrupto na história da Nicarágua, Arnoldo Alemán", definiu Rojas.

Tardencilla disse que Osorno converteu-se num caudilho do partido. Facção do partido, liderada pelo deputado Mariano Suárez, que ficou conhecido por ter proferido o voto que decidiu pela cassação da impunidade de Alemán, está convidando a militância do partido para um congresso extraordinário, em fevereiro, alegando que Osorno e o comando do PCC foram eleitos com uma minoria de sufrágios.

Na guerra de acusações que os dois grupos vêm sustentando na imprensa, Osorno chamou Tardencilla de traidor maior do partido. Disse que o deputado ofereceu 1 mil dólares e cargos públicos a dois militantes com o propósito de arrebentar com o partido e seu líder.

Declarou, ainda, que Tardencilla traiu o partido sandinista e esqueceu-se de que tinha três irmãos e a mulher do deputado Mariano Suárez como assessores fantasmas em seu gabinete.

Na guerra de palavras, Osorno acusou Uri Rojas de solicitar ao partido 700 dólares para um cartão de crédito. Como não ganhou o crédito bandeou-se ao grupo de Suárez, arrolou.

O Conselho Político do PCC fez um chamamento aos filiados para que permaneçam unidos e fortaleçam a organização política, preparando-se para a próxima eleição municipal, e que dêem apoio ao presidente da organização, Osorno.

O deputado Orlando Tardencilla, que também é segundo vice-presidente da Assembléia Nacional, disse, ao tomar conhecimento de sua expulsão do PCC, que, por respeito ao povo cristão, não vai responder às acusações de Osorno.

Anunciou que vai se reunir no sábado, 25, com o grupo expulso, que considera o PCC "um cadáver político e não há porque preocupar-se em resgatar alguma coisa que já não tem vida". E acrescentou: "Não é minha culpa que o povo encara o partido como um apêndice de outro partido".


Ultimos titulares