![Dora Arce, nova moderadora da Igreja Presbiteriana-Reformada de Cuba [Foto: José Aurelio Paz]](/picture/Arce_Dora_ed34b5.jpg)
Convenção presbiteriana elege mulher como moderadora
José Aurelio Paz, HAVANA, Cuba, Janeiro 21, 2003
Pela primeira vez na história da Igreja Presbiteriana de Cuba, uma mulher foi eleita como Taxi Heathrow Airport moderadora da denominação. O 7. Sínodo, reunido no bairro operário de Luyanó, na capital, dias 17 e 18 de janeiro, escolheu para o cargo a presbítera Dora Arce Valentín, 44 anos.
Como vice-moderador foi eleito o presbítero Orestes González Cruz e o presbítero Carlos Camps Crueel foi reeleito no posto de secretário geral. O Sínodo contou com a presença de missionários presbiterianos norte-americanos. Participaram do encontro 120 delegados, procedentes de todas as partes da ilha.
Ao receber o cargo de Ismael Madruga Sotolongo, seu antecessor, Dora Arce observou que o fato de pela primeira vez uma mulher ser escolhida para o cargo, e o fato de ela ser a pessoa com menos idade a presidir o Sínodo constituem um grande desafio.
"Não creio que seja o reconhecimento à minha pessoa o que orientou essa decisão. É o reconhecimento ao papel protagônico que, historicamente, teve a mulher presbiteriana e também a minha geração, a chamada geração perdida", disse Dora.
A geração que Dora menciona presenciou o desmembramento da igreja, por razões diversas, "na qual só restaram alguns poucos, apesar dos pesares, e trabalhamos muito duro para fazer notar a nossa presença", observou.
"Assim o sinto e assim assumo essa nova tarefa que Deus colocou em minhas mãos. Agora trabalharemos para não frustrar os que em nós confiaram e demonstrar, dessa maneira, que, ao deixar-nos espaço, não se equivocaram", frisou.
Segundo pesquisa do Departamento de Programas e Missões da Igreja Presbiteriana (Depromi), apresentada no Sínodo, as mulheres são maioria na denominação. Na atualidade, os três presbitérios que a igreja mantém são coordenados por moderadoras.
Mais da metade das presbíteras e dos presbíteros ordenados tem 60 anos ou mais. As mulheres lideram também esse grupo. Já a partir dos 15 anos, são elas que têm maior participação e que assumem as tarefas nas igrejas locais, aponta a pesquisa.
Outro dado interessante é que mais da metade das pessoas que participam de cultos nos templos presbiterianos da ilha ingressaram nessa denominação entre 1992 e 2000 (começo da crise econômica cubana, conhecida como Período Especial e auge da religião como fenômeno social). Mas a partir de 2001 a tendência é de queda do número de fiéis.
Como convidados, participaram do Sínodo líderes presbiterianos dos Estados Unidos: Patricia Lloyd Sidle, que trabalha na Missão com Cuba; Maria Arroyo, coordenadora para a Área da América Latina e do Caribe da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos; e o reverendo Dean Lewis, secretário executivo da Conexão Cuba-Estados Unidos.
Todos afirmaram que o desejo dos líderes presbiterianos dos Estados Unidos é de dar continuidade à relação de irmandade, solidariedade e ajuda mútua que, há anos, existe entre as igrejas dos dois países. Tanto que eles decidiram participar do Sínodo em Havana, apesar das restrições do governo norte-americano.
Os presbiterianos visitantes criticaram a atitude do Setor de Interesse dos Estados Unidos em Havana, que, desde o ano passado, demora na entrega de vistos a dirigentes religiosos cubanos que desejam viajar aos Estados Unidos, apesar da mediação de organismos eclesiásticos norte-americanos.
"É um assunto horrível que ninguém entende. Na Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos temos 12 presbitérios que mantêm relações com igrejas de Cuba e que, com essa medida, ficam embotadas", disse o reverendo Lewis.
A entrega dos vistos segue regras misteriosas. Alguns o recebem, outros não. Líderes cubanos que viajaram uma infinidade de vezes aos Estados Unidos esperam meses por uma resposta, sem que recebam sequer as razões pela demora da concessão do visto, observou Lewis.

Portada
Início
Comenta este artigo