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Segunda-feira, 31 de Maio de 2004

Luteranos condenam clonagem humana

Edelberto Behs, PORTO ALEGRE, Brasil, Janeiro 17, 2003

A clonagem humana é uma agressão fundamental à ordem criada por Deus, diz pronunciamento da Taxi Heathrow Airport Comissão Teológica e Relações Eclesiais do Sínodo Missouri, dos Estados Unidos, divulgado pelo jornal Mensageiro Luterano, órgão oficial da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB).

O documento original, sobre Casamento, Família e Clonagem Humana, emitido em abril de 2002, foi publicado no The Lutheran Witness em setembro do ano passado, e traduzido para a edição online de janeiro do jornal brasileiro.

O documento dos luteranos missuri rejeita, enfaticamente, a clonagem de seres humanos. Ele ganha atualidade com o anúncio da seita do Movimento Raeliano, em dezembro passado, de que uma norte-americana, de 31 anos de idade, teria dado à luz uma menina clonada, chamada Eva. E que outros três bebês ainda devem nascer neste mês ou início do próximo, após o sucesso de dez implantes de embriões, anunciou a chefe-executiva da empresa Clonaid, Brigitte Boisselier.

A Clonaid não apresentou, porém, qualquer evidência científica do seu anúncio. A mãe de Eva não teria permitido o teste de DNA para comprovar a clonagem. Jornalistas suspeitam que trata-se apenas de uma jogada de marketing da Clonaid para divulgar a seita raeliana.

A comissão do Sínodo Missouri analisou a proposição da clonagem de seres humanos à luz dos ensinamentos das Escrituras sobre casamento, família, procriação e das intenções redentoras de Deus.

Descobriu que essas idéias, simples porém, duradouras, "fornecem bases sólidas para a conclusão deste estudo: rejeição enfática à proposição de que pessoas sejam clonadas".

O documento lembra que a concepção, segundo as Escrituras, dá-se pela união íntima da relação sexual. Destaca que, fisicamente, "o desenvolvimento do corpo humano é dirigido por nossos genes, cerca de 40 mil a 60 mil séries de instruções físicas codificadas no DNA de nossas células. De forma convencional, cada mãe contribui com um conjunto completo de genes e o pai com o outro".

No caso de clonagem, o conjunto de informações genéticas que dirigem o desenvolvimento físico do embrião vem apenas de uma das partes, do único "pai" de quem o clone é gerado.

"A perspectiva da clonagem, que não significa necessariamente a importação de gametas de fora do casamento, levanta muitas questões diferentes. A clonagem é fundamentalmente inaceitável porque apenas o material vital de uma pessoa provê as informações genéticas, fazendo com que a delicada balança do casamento seja perturbada mais uma vez. A criança fica em uma relação assimétrica com o pai e a mãe, porque o conjunto total de informações genéticas veio de apenas um deles", justificam os luteranos.

O documento enfatiza que o casamento e a paternidade fazem parte dos planos de Deus. Assim, cristãos não devem praticar relações sexuais fora do casamento.

"Relações sexuais fora do casamento dizem uma série de `nãos' à pretensão de Deus de que homens e mulheres aproveitem sua dádiva num contexto de autodoação", argumentam os luteranos missouri.

O documento define o casamento como "uma escola para o exercício de como as crianças de Deus se referem a Deus, a elas próprias e aos outros".

O texto admite a inseminação artificial com o esperma do marido como uma alternativa possível para superar a infertilidade, mas condena a "barriga de aluguel" - o fornecimento de um útero, que não seja a da mãe natural, para abrigar o esperma de um doador fora do casamento. "A presença da `mãe de aluguel' perturba a relação da criança com seus vários pais biológicos e sociais", dizem os luteranos.

Já a fertilização "in vitro" é admitida quando o esperma do marido é colocado em contato com o óvulo da esposa e ela carrega a criança em seu útero. Nesse caso, "não parece haver um distúrbio da relação matrimonial e da relação entre pais e filhos". Mas quando a fertilização "in vitro" se dá com esperma e óvulos de uma variedade de doadores, ela é condenada.

Mas apesar de todas essas considerações, o documento abre a perspectiva de salvação a todas as pessoas, independente da forma como foram e são geradas, se são "mais humanas" ou "menos humanas".

"Todos pecaram e carecem da glória de Deus", e todos são justificado pela redenção que Cristo Jesus oferece, salientam.