Líder evangélico pede orações em favor da Venezuela
CARACAS, Venezuela, Dezembro 20, 2002
O presidente da Aliança Evangélica da Venezuela, Samuel Olson, convocou os cristãos para que resguardem Taxi Heathrow Airport a paz e busquem a sabedoria de Deus, assim que a Venezuela possa superar a crise e as manifestações que o país experimenta. "Essa nação precisa voltar-se para Deus e todos devemos humilhar-nos perante Ele", disse Olson numa declaração divulgada pelo rádio.
A Venezuela vive uma dramática situação, com o país dividido entre os que apoiam o governo e os que querem ver Chávez fora do poder. As ruas e avenidas são passarelas de manifestações tanto dos situacionistas como de oposicionistas. Esses querem a imediata saída do presidente e a convocação de novas eleições.
A oposição convocou uma greve geral contra o presidente. A greve, que dura mais de duas semanas, conseguiu paralisar a indústria petroleira, fechando as torneiras do principal produto de exportação do país. A Venezuela é o quinto produtor mundial de hidrocarbonados e o principal fornecedor de petróleo dos Estados Unidos.
O Supremo Tribunal determinou, na quinta-feira, que os sindicatos restabeleçam as atividades econômica e industrial da Petróleos da Venezuela. A oposição negou-se, contudo, a aceitar a ordem. O país deixou de exportar 30 milhões de barris nos últimos dias, fator que gerou a elevação do preço do petróleo no mercado internacional, deixando o governo de George Walker Bush preocupado.
As conseqüências internas da greve são devastadoras, disse Olson no programa de rádio. A Venezuela enfrenta cortes de energia e paralisação dos transportes por falta de combustível. As reservas de alimentos estão caindo rapidamente. O governo importa leite da Colômbia, carne do Brasil, e arroz e farinha de trigo da República Dominicana.
A oposição pede a renúncia de Chávez, acusado de ser um ditador, que conduziu o país à ruína e que quer levar a Venezuela a um regime militar, semelhante ao de Cuba. A situação ficou tensa nesta sexta-feira, quando a oposição anunciou uma marcha até o centro da capital, denominada a "tomada de Caracas".
Chávez conta com o apoio dos militares, que impediram, até aqui, manifestações no centro da cidade. A polícia reprimiu os manifestantes fazendo uso de gás lacrimogêneo e cacetetes nos momentos em que as manifestações recorriam à violência.
O presidente Chávez foi eleito em 1998 e sobreviveu ao golpe de Estado, em abril passado, que afastou-o do Palácio presidencial por algumas horas, antes de recuperar o poder com a mobilização da sociedade e de boa parte das forças armadas.
Tanto os que apoiam Chávez quanto os seus opositores têm-se mostrado intransigentes. Os esforços do secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, resultaram frustrados.
A Unicristã, o Centro Cristão para as Nações e Redimia Internacional expressaram preocupação com a situação no país, que pode acabar em mais violência e enfrentamentos. Esses organismos fazem votos de que os grupos cheguem a uma solução negociada. O mesmo manifestaram a Igreja Evangélica Livre e a ordem católica dos jesuítas.

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