Prisão de agricultores ganha contornos políticos
CUIABÁ, Brasil, Dezembro 16, 2002
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Comissão de Direitos Humanos do Taxi Heathrow Airport Mato Grosso deflagraram campanha pela libertação de oito agricultores, detidos desde 29 de julho, sob a acusação de roubo e formação de quadrilha.
Para o MST, tratam-se de presos políticos que serão usados como moeda de troca para a desocupação da Fazenda São Paulo, em Mirassol D’Oeste, na fronteira do Mato Grosso com a Bolívia.
Naquele dia, cerca de 1.200 famílias oriundas do acampamento Sílvio Rodrigues, passando fome e não tendo o que comer, avançaram em arroz, carne e leite transportados por caminhões.
A Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil montaram barreira na BR 163 e prenderam todas as pessoas que fossem identificadas como assentadas, acampadas ou militantes na luta pela reforma agrária.
O advogado do MST, Dieter Metzner, membro da Igreja Evangélica de Confissão Luterana e coordenador da Comissão de Direitos Humanos do Sínodo Mato Grosso, pretende tirá-los da cadeia até o Natal.
Há tempos, o MST impetrou habeas corpus em favor dos agricultores, pedido que foi negado pelo juiz da Comarca de Mirassol D’Oeste, Luiz Augusto Veras Gadelha, e depois pelo Tribunal de Justiça do Estado.
Tecnicamente, argumentou o advogado, a prisão dos agricultores não é ilegal, mas é ilegítima. Eles foram presos em flagrante, por suposta participação em saque de alimentos. Mas nenhum dos motoristas ouvidos como testemunha identificou-os.
Os agricultores Geraldo Camilo Pereira, José Francisco dos Santos, Genair Vieira, Mauro Bento Farias, José Maria Martins, Gumercindo Rodrigues de Oliveira, Alberto Gonçalves de Oliveira e Ana Maria dos Reis estão presos há 140 dias.
Primeiro, eles estavam detidos em Cáceres, a 200 km da capital. Sob o argumentos de falta de segurança, foram levados a Cuiabá e, mais tarde, a Mirassol D’Oeste, onde moram e trabalham. Enquanto presos em Cuiabá, o pastor Teobaldo Witter, da Comissão de Direitos Humanos, visitou-os em duas ocasiões.
O governador do Estado, Rogério Salles, recebeu a Comissão de Direitos Humanos, quando declarou que não havia razões para manter os agricultores presos. Ele nomeou um defensor público para tratar da libertação dos agricultores.

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