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Sábado, 18 de Janeiro de 2003

Livro desmistifica crenças cristãs e faz sucesso

SANTIAGO, Chile, Dezembro 16, 2002

O livro "Os onze mandamentos", publicado na Itália e que pretende desmistificar crenças populares sobre Taxi Heathrow Airport a vida de Jesus e os relatos bíblicos, encontrou amplos espaços para comentários na imprensa chilena. Os autores do livro são dois jornalistas católicos italianos, Roberto Beretta e Elisabetta Broli.

Roberto e Elisabetta afirmam, por exemplo, que José não era nem carpinteiro nem velho, mas um homem jovem, de boa posição social. Dizem, também, que Cristo não nasceu no dia 25 de dezembro e nem morreu aos 33 anos de idade.

Os dois autores assinalam que recolheram "pelo menos 60 erros e pequenos equívocos, mentiras e lugares comuns sobre as Sagradas Escrituras". Na realidade, eles não desmentem o que a Bíblia diz, mas voltam-se às tradições populares em torno do Livro Sagrado, tecidas ao longo dos séculos, e que em muitos casos já foram esclarecidas pelos biblistas, mas que são desconhecidas da maioria das pessoas, embora também compilassem certas teorias discutíveis.

O especialista em Bíblia Gianfranco Ravasi, membro da Comissão Pontifícia do Vaticano sobre Bens Culturais da Igreja e supervisor das 208 páginas do livro, escreveu no prólogo que "`Os onze mandamentos' é um trabalho preciso, desmistificador e baseado em importantes estudos dos textos sagrados".

Uma das tradições questionadas no livro é a data do Natal. Os autores afirmam que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. Na realidade, a Bíblia não diz nada a respeito da data. Roberto e Elisabetta assinalam que as características da época mencionada no evangelho sugerem outro período.

Mas o dia 25 foi estipulado oficialmente pelo papa Libério, no ano de 354, porque nesse tempo eram muito populares, em dezembro, as celebrações pagãs do solstício de inverno. Como é impossível fixar outra data, a tradição é aceita mundialmente.

O nascimento de Cristo, diz o livro, tampouco deu-se no ano zero, mas entre cinco a sete anos antes. "O erro parte de Dionísio, o Pequeno, um monge do século VI que é, na realidade, o pai do nosso calendário e que se equivocou em alguns anos", alegam os autores. Esse critério é compartilhado por muitos especialistas e teve bastante publicidade.

O livro sustenta que Cristo teria morrido, portanto, com idade mais próxima dos 40 do que dos 33 anos. Essa versão contradiz a opinião dos estudiosos, de que Jesus iniciara o seu ministério quando tinha cerca de 30 anos, e que teria durado somente três anos, independente da data de seu nascimento.

Eva mordendo avidamente a maçã proibida no Éden é uma das imagens clássicas dos artistas que pintaram cenas bíblicas. A Bíblia não especifica, porém, qual a fruta que Deus proibiu de comer. O livro dos jornalistas italianos diz que nunca existiram maçãs no Paraíso. Para alguns judeus, a fruta proibida era o figo; para os ortodoxos, a laranja; para os islâmicos, uma jarra de vinho; outros opinam que era o símbolo da auto-sufuciência humana.

A estrela de Belém, presente em todos os presépios que representam o lugar onde o Salvador nasceu, não era um cometa e os reis magos não eram três nem foram reis, mas um grupo de magos. O Evangelho de Mateus diz somente que "vieram do Oriente a Jerusalém alguns magos", pois viram a estrela.

O livro desmente que Jesus fosse loiro de olhos azuis, como aparece nos filmes. A informação surge de um recente estudo, no qual uma imagem digital revelou o verdadeiro rosto de um palestino do século I. Segundo essa imagem, Jesus foi um homem de estatura média e de pele e olhos escuros.

Mais discutível é a afirmação do livro de que José, o pai de Jesus, não foi um velho carpinteiro pobre, como aparece em alguns quadros. Ao contrário, dizem Roberto e Elisabetta, ele casou-se com Maria quando tinha entre 18 e 25 anos. Argumentam que ele foi uma espécie de técnico em construção, com uma boa posição social. Mateus 13,55 e Marcos 6,33 dizem que as pessoas referiam-se a Jesus como sendo o filho do carpinteiro. Os autores italianos parecem recolher a tese dos teólogos da prosperidade sobre a boa posição econômica de José.

Outras idéias de Roberto e Elisabetta no livro também são muito discutíveis, como o fato de o dilúvio não ter durado 40 dias, mas um ano; que a arca de Noé era uma espécie de submarino; que o maná não caiu do céu. Os autores apresentam a oração de Jesus antes de ser preso - "amem-se uns aos outros como eu os amei"- como o décimo primeiro mandamento, que dá título ao livro.