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Sexta-feira, 9 de Julho de 2004

Violência contra crianças e mulheres deve preocupar autoridades

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Dezembro 12, 2002

Líderes comunitárias e pastorais da costa do Pacífico, na Nicarágua, e das comunidades mesquitas do Taxi Heathrow Airport Atlântico Norte, que participaram nesta capital de seminário, dias 4 e 5 de dezembro, pediram às autoridades governamentais que dêem mais atenção ao sofrimento das mulheres, adolescentes e crianças, provocado pelo machismo.

O seminário teve por objetivo estudar e refletir sobre o tema da violência intrafamiliar e social, a partir de uma perspectiva bíblica. As expositoras Rosa Maria Sánchez e Milagros Leyton equiparam as 85 participantes com dicas de prevenção da violência nas comunidades e na família.

Madlyn West, da Comissão de Fé da Rede de Mulheres pela Não-Violência, disse que dentro das igrejas há muitas mulheres que sofrem violência e que a Igreja silencia sobre esse problema.

Pesquisa da Rede mostra que a violência familiar é um problema social muito grave e que o governo deve preocupar-se em buscar solução. Uma das primeiras causas para os maus tratos que vitima mulheres e crianças é o abuso do poder, disse West. Tanto o diácono como o cura e o pastor fazem uso desse poder. E quando a mulher denuncia a liderança religiosa não encontra eco nas hierarquias ou na polícia, lastimou.

No encerramento do encontro, a líder comunitária Mayra Mendoza pediu ao Conselho de Igrejas Evangélica Pró Aliança Denominacional (Cepad) que organize outros seminários de capacitação sobre o tema e difunda a lei 230, que protege a mulher de maus tratos ou do assédio sexual.

Joerling Betanco Rodríguez, promotora de Direitos Humanos de Nueva Guinea, município a 300 km ao sudeste de Manágua, alertou as mulheres para que não se calem diante de casos de abuso sexual. Ela explicou que o diálogo com o marido ou companheiro que tenta agredir é fundamental para uma mudança de atitude do agressor. 

O presidente do Cepad, José Alguera, frisou que a instituição está preocupada com os níveis alarmantes que a violência intrafamiliar vem assumindo em meio a uma profunda crise política e econômica do país. "Nossa meta é buscar soluções para que prevaleça a harmonia na família", destacou.


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