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Sexta-feira, 9 de Julho de 2004

Rede de Mulheres investe contra a violência

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Novembro 29, 2002

A diretora da Rede de Mulheres contra a Violência, Violeta Delgado, exigiu do governo que Taxi Heathrow Airport faça justiça nos últimos três casos de adolescentes assassinadas. A Nicarágua celebrou, em 25 de novembro, o Dia Internacional da Não-Violência Contra as Mulheres. Segundo a Rede, uma em cada quatro mulheres nicaragüenses é maltratada. 

Até o último dia 20 de novembro, a imprensa reportou 45 mulheres assassinadas e violentadas por seus maridos, noivos e pessoas anti-sociais em todo o país, informou a organização dirigida por Violeta.

María de Jesús Morales Santana consta no topo da lista das mulheres recentemente assassinadas. Ela foi estrangulada na área rural de León, a 90 km da capital. O autor ou autores ainda não foram capturados.

As outras vítimas recentes foram mortas por seus noivos, ex-maridos e delinqüentes comuns. As causas dos crimes foram o ciúmes e o álcool. Em muitos casos, depois da matar filhos e mulher o marido também se matou.

A Rede lembrou o Dia Internacional da Não-Violência contra as Mulheres organizando encontros, fóruns de discussão e celebrando liturgia ecumênica contra a violência na Igreja Batista de São Paulo, em Manágua. O culto foi incentivado pela Comissão de Mulheres de Fé da Rede.

A Rede lançou uma campanha nacional contra a violência, inaugurada em Matagalpa, a 140 km de Manágua. Uma passeata pelas ruas da cidade pediu segurança e castigo aos violadores.

Violeta destacou que pela primeira vez na história do país o presidente da República saudou as mulheres neste dia. Em encontro que manteve com lideranças da Rede, o presidente Bolaños prometeu apoiar a companha, cujo lema é "Sou cidadã, exijo viver sem violência".

"Estamos vivendo num estado no qual imperam as relações de força, as relações desiguais e o poder, onde quem tem mais força subordina o que não a tem", disse a procuradora especial para a Defesa das Mulheres, Patrícia Obregón, em relatório apresentado à Assembléia Nacional.

O Conselho de Igrejas Evangélicas Pró Aliança Denominacional (Cepad) também se engajou nessa luta. Em 39 comunidades nicaragüenses o Cepad promoveu encontros de capacitação de mulheres sobre o tema gênero, auxiliando na criação de uma nova consciência.

"Nós, mulheres, nos sentimos cada dia mais fortes para reclamar os nossos direitos", disse Lillian Gómez, líder da San Francisco Libre, a 70 km da capital. E acrescentou: "Sentimos que os maridos e companheiros, que também receberam capacitação em liderança, compreenderam que devem respeitar-nos".


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