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Segunda-feira, 31 de Maio de 2004

Tráfico mata mais crianças que a guerra

Edelberto Behs, RIO DE JANEIRO, Brasil, Novembro 28, 2002

A batalha pela disputa territorial das facções de drogas do Rio de Janeiro mata mais Taxi Heathrow Airport jovens e adolescentes do que o conflito armado entre Israel e Palestina ou as guerras intestinas em países africanos e na Colômbia, envolvendo exércitos e grupos insurgentes que recrutam "crianças soldados".

De dezembro de 1987 a novembro de 2001 morreram 467 crianças e jovens no conflito do Oriente Médio. No mesmo período, 3.937 crianças e jovens foram mortos por armas de fogo na região da Grande Rio.

Os dados são da Pesquisa Crianças Combatentes em Violência Armada Organizada, realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) com o apoio do Viva Rio.

A pesquisa foi coordenada pelo antropólogo inglês Luke Dowdney. Ela revelou semelhanças entre a vida de crianças envolvidas na guerra do tráfico, no Rio, e as crianças soldados.

A Epidemiologia das Causas Externas e os indicadores de violência e acidentes no Rio de Janeiro, também elaborados pelo Iser, mostra que a probabilidade de uma pessoa ser morta por arma de fogo no Brasil era três vezes maior em 1998 do que o foi em 1979.

Recife é a capital brasileira que apresenta a maior taxa de mortes por armas de fogo do Brasil. A probabilidade de uma pessoa morrer por arma de fogo no Recife em 1998 era 12 vezes maior do que em Nova Iorque (em 1996). O Rio de Janeiro ocupa a terceira posição entre as capitais brasileiras nesse ranking.

Entre 1996 e 1998, o maior número de mortes por arma de fogo ocorrido na região metropolitana do Rio foi verificado na faixa etária dos 20 aos 29 anos, com uma taxa de 102,6 mortes por 100 mil habitantes (1998), seguida da faixa etária dos 15 aos 19 anos. Segundo dados da polícia e da saúde, cerca de 68% dos homicídios verificados no Rio são causados por armas de fogo.

Também os jovens de classe média são seduzidos pela violência armada. Só na cidade do Rio de Janeiro, armas de fogo mataram, em 1998, mais adolescentes de 15 a 19 anos do que todas as outras causas de morte reunidas, incluindo doenças e trânsito.

Na pesquisa das crianças combatentes em violência armada organizada o Iser fixou por objetivo conhecer a extensão e a dinâmica do envolvimento de crianças e jovens como alvos e agentes da violência armada no Brasil, mas em particular na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Com base nesses dados, o Iser desenvolve programas destinados a tirar a crianças e o jovem desses ambientes de violência, reabilitando-os e inserindo-os em projetos de prevenção.