Religiosas são presas em protesto contra Escola das Américas
LOUISVILLE, Estados Unidos, Novembro 26, 2002
Duas integrantes da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PUCSA, a sigla em inglês) e seis Taxi Heathrow Airport irmãs católicas constam entre as 88 pessoas presas no protesto, dia 17 de novembro, em frente ao quartel de Fort Benning, em Columbus, Estado de Georgia, conhecido como a Escola das Américas. O protesto reuniu mais de 6 mil pessoas.
A Escola das Américas treinou quase todos os militares latino-americanos que se converteram em ditadores e violadores dos direitos humanos na segunda metade do século passado. Há 13 anos, milhares de defensores dos direitos humanos dos Estados Unidos protestam diante do quartel no aniversário da matança de seis sacerdotes jesuítas em El Salvador, ocorrida no dia 19 de novembro de 1989. Os jesuítas foram mortos por soldados salvadorenhos treinados na Escola das Américas.
Segundo o PCUSA News, as presbiterianas Marilyn White, de Houston, Texas, e Ann Huntwork, de Portland, Oregon, podem ser condenadas a seis meses de prisão e a uma multa de 5 mil dólares por ingressarem sem autorização numa propriedade federal durante a demonstração pacífica. O mesmo pode acontecer às irmãs católicas.
Os manifestantes pedem, a cada ano, que esse centro militar, agora denominado de Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança, seja fechado. Mesmo com a mudança de nome, militares latino-americanos recebem instruções castrenses no Instituto e métodos de interrogatório, como torturar física e psicologicamente, e como proceder em casos de execução extrajudicial.
O Departamento de Defesa dos EUA assegura que essas matérias foram eliminadas do currículo do Instituto. O exército norte-americano reconheceu que alguns alunos que passaram pela Escola das Américas, algumas centenas dentre 60 mil militares que ali receberam treinamento nos últimos 50 anos, cometeram abusos, mas, argumentaram, não se pode acusar o programa por causa de poucos casos.
Porta-voz do exército disse que os alunos recebem, agora, instruções em Direitos Humanos e que isso contribuiu para o desenvolvimento da democracia na América Latina. Os opositores ao programa alegam que as mudanças são meramente um cosmético.
Vem de longa data a participação de membros da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos nessas manifestações contra a Escola das Américas. No ano passado, os pastores Chuck Booker-Hirsch, de Ann Arbor, e Erik Johnson, de Maryville, foram presos e condenados por participação no protesto. Em 1994, a assembléia geral da PCUSA aprovou resolução pedindo o fechamento da Escola das Américas.

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