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Sexta-feira, 19 de Novembro de 2004

Pentecostalismo: terceira ramificação do cristianismo?

LIMA, Perú, Novembro 19, 2002

Em análise que apresentou como "idéias para o debate", o pesquisador Juan Fonseca, da Pontifícia Taxi Heathrow Airport Universidade Católica de Lima, apontou a possibilidade de qualificar o pentecostalismo como uma terceira ramificação do cristianismo, ao lado do catolicismo e do protestantismo.

Fonseca é membro da Fraternidade Teológica Latino-Americana e integra a Igreja de Deus do Peru. Ele afirmou que o protestantismo clássico nunca chegou a constituir uma força religiosa determinante no hemisfério.

Somente com a chegada do pentecostalismo e o "boom" que experimentou nos anos 60 e 70 do século passado, o protestantismo - "se é que o pentecostalismo ainda é protestante"- converteu-se em força religiosa, que chegou a ameaçar, inclusive, quatro séculos de predomínio católico no continente.

Ninguém duvida, disse, da identidade cristã do pentecostalismo. "O que, sim, está em dúvida é a sua identidade protestante". Com a ênfase que dá à experiência, o pentecostalismo, mesmo que nascido no interior do protestantismo, escapa ao controle dessa família do cristianismo.

"A herança católica, ricamente simbólica e ritual, a ênfase protestante na racionalidade e na Palavra de Deus, e a contribuição celebrante e experimental do pentecostalismo, juntos podem formar o ecumênico corpo do cristianismo", definiu.

O explosivo crescimento do pentecostalismo nos anos 60 fortaleceu-se com a crise do sistema desenvolvimentista e os processos de reforma agrária, também pela maciça migração verificada do campo para a cidade. Ao mesmo tempo, argumentou Fonseca, o pentecostalismo soltou-se das limitações impostas pela tradição protestante frente à diversidade cultural e manifestação das emoções.

Nos anos 70 e 80, quando milhares de latino-americanos optaram pela via revolucionária para concretizar seus ideais, outros milhares incorporaram-se às comunidades pentecostais para vivenciar seus anseios e esperanças.

Essas comunidades, muitas delas indígenas e negras, incorporaram a rica cosmovisão e sensibilidade latino-americana e sua música. "Não é de estranhar que nessas décadas apareceram a Igreja Pentecostal Deus é Amor e a Igreja Universal do Reino de Deus, ricas numa liturgia e cosmovisão mágicas, de raízes autóctones", historiou.

Na análise do pesquisador, apareceu um pentecostalismo menos protestante e mais folclórico, uma espécie de religiosidade popular filoprotestante, que faz fronteira com o paganismo. Dentro do catolicismo surgiu o carismatismo, uma forma de religiosidade popular que a alguns mais parece um sincretismo, uma religião mestiça, tipicamente latino-americana.

"Quem sabe, a religião latino-americana do futuro não será a católica nem a protestante, mas será antes essa forma pentecostal autóctone, colorida, criativa e flexível, festiva e sensível", vaticinou Fonseca.

O pesquisador lembrou que o pentecostalismo é uma fé pefeitamente compatível com a atualidade pós-moderna. Primeiro, por causa da sua sensibilidade, que nem sempre entende as razões, mas compreende as sensações. Depois, por sua festividade e, terceiro, devido a sua flexibilidade e adaptabilidade, características das sociedades em transição, como as africanas e do sudeste asiático, onde está colhendo grandes êxitos.


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