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Segunda-feira, 31 de Maio de 2004

Culto em memória de Shaull reúne comunidade ecumênica

Edelberto Behs, SÂO PAULO, Brasil, Novembro 11, 2002

Cristãos de diferentes famílias confessionais e até mesmo ateus reuniram-se, na sexta-feira, 8, na capela do Seminário de Teologia da Igreja Presbiteriana Independente, nesta capital, para reverenciarem a memória do pastor e professor Dr. Richard Shaull, falecido no dia 25 de outubro, nos Estados Unidos, aos 82 anos de idade.

“O culto foi emocionante”, conta o teólogo Anivaldo Padilha, de Koinonia. A presença de Shaull, que atuou como professor e missionário no Brasil e na Colômbia, foi “determinante para abrir nossos olhos para a realidade do mundo, para a responsabilidade social dos cristãos e para o desenvolvimento de uma visão crítica da sociedade e da Igreja”, testemunhou Padilha.

O culto em memória de Shaull reuniu presbiterianos, metodistas, luteranos, anglicanos, pentecostais, católicos romanos e ateus, ao todo em torno de 80 pessoas. A liturgia desse momento celebrativo incorporou elementos das diversas tradições, foi simples como simples foi a vida de Shaull. A homilia esteve a cargo do pastor Rubens Bueno, que apresentou uma compilação do pensamento do teólogo norte-americano.

Várias pessoas, desde antigos companheiros dele até jovens que só vieram a conhecê-lo recentemente, apresentaram um testemunho vivo, lembrando o pioneirismo de Shaull ao lançar as sementes da Teologia da Libertação e a capacidade que demonstrou em compreender as complexidades do mundo.

“Aprendemos com ele a duvidar dos projetos humanos e a crer na ação redentora de Deus na História. Aqueles da minha geração, que conheceram e conviveram com Shaull, nunca mais olharam a teologia, a igreja e a política da mesma forma”, mencionou Padilha na celebração.

A liturgia do culto em memória destacou duas ênfases de Shaull: o compromisso com os excluídos e a reflexão de fé nessa ação. Shaull dizia que “não há comunidade sem o testemunho profético-apostólico. Quando o testemunho silencia a comunidade logo desaparece”. Na ocasião também foi lido um texto de Rubem Alves, que escreveu “Sobre excrementos e política”.