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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2004

O Segundo Violino

Oneide Bobsin, SAO LEOPOLDO, Brasil, Maio 10, 2002

Entre os estudiosos que se dedicam à análise  das mudanças sofridas pelas religiões e da Taxi Heathrow Airport expansão de movimentos religiosos,  num período de aceleração da globalização - ou nova fase do capitalismo-  a tese da privatização da fé parece contradizer as manifestações públicas de Igrejas, de religiosos e a própria agressividade de movimentos  fundamentalistas.

Afinal, o que está acontecendo com as  religiões, igrejas, movimentos religiosos?  A presença pública crescente denuncia a fraqueza do fenômeno religioso?

Vejamos, pois, alguns fatos. Conforme o teólogo batista colombiano Haroldo Segura, é inegável  o crescimento numérico dos evangélicos pentecostais na América Latina. Contudo, ressente-se do fato de que a presença quantitativa não implica uma mudança significativa da sociedade. 

Avaliação semelhante faz o pastor presbiteriano  Oswald Prado;  para ele, os pastores destas igrejas estão demasiadamente ocupados com o crescimento numérico de suas igrejas sem a correspondente  preocupação em transformar a sociedade.

No Seminário  sobre diálogo Inter-religioso e a Superação da Violência, ocorrido junto à segunda edição do Fórum Social Mundial,  em Porto Alegre, Brasil,  ouviu-se de um palestrante que a religião é o segundo violino da orquestra.

Em outras palavras,  apesar da saudade  e de recaídas medievais sem sucesso, as religiões e as  igrejas estão num lugar subordinado.

Em A religião do Planeta Global, Reginaldo Prandi, professor de sociologia da  Universidade de São Paulo (USP), faz uma afirmação bastante desconfortável para religiosos/as e igrejas: “Nossa sociedade não precisa de Deus  ou de deuses no seu governo, nem para o seu progresso, nem para eficácia de suas políticas (...) Quem há de curar a AIDS é a ciência, não a religião...”  

 Incômodos lugares foram colocadas as religiões, igrejas e movimentos religiosos? Penso que não. Há muito que o mundo moderno as destronou. Ainda deveríamos ser gratos à sociedade moderna ocidental por tal façanha libertadora.

Quando movimentos religiosos,  igrejas  e  religiões ocuparam o lugar de maestras, isto é, de poder, cresceram  a inquisição e os fundamentalismos beligerantes. Governos de perfil teocrático, de ontem ou de hoje, não foram e não são garantias de democracia e justiça social.

Pelo contrário, promoveram perseguições a outros credos  e, até, eliminação física de  “infiéis”. Também devemos abandonar as ilusões, como pessoas cristãs, de que se todo mundo fosse convertido  ao cristianismo e tomássemos todos os governos, o mundo seria muito diferente do que é hoje.

 Hoje, mais do que no passado, a economia e o sistema financeiro internacional ocupam o lugar de maestros, regendo músicas fúnebres para os bilhões de excluídos. Além disso, enfraquecem os Estados na sua capacidade de qualificação dos serviços públicos aos empobrecidos e excluídos.

Libertadas da condição de maestras, as igrejas e as religiões podem ocupar outros espaços  se considerarem as possibilidades  implícitas  na confissão do apóstolo  Paulo: Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força mostra todo o seu poder (...). Pois quando sou fraco, então é que sou forte. ( 2 Coríntios 12 )

Nas parcerias entre igrejas, religiões, movimentos religiosos e políticas públicas socializantes demonstraremos um outro poder que vem da fraqueza. Afinal, nosso maestro é o crucificado e ressurreto, e suas bênçãos se estendem  para o mundo todo. Também para os que não crêem ou crêem de outras formas.

Conseqüentemente,  a  privatização da religião será suplantada pelo exercício público da fé. Atos dos Apóstolos,  19. 23-40, é um exemplo disso.

Oneide Bobsin,  Pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil  e professor de Ciências das Religiões da Escola Superior de    Teologia, São Leopoldo / Brasil


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