Voltar ao início

Sábado, 30 de Abril de 2005

Grupo católico examina desafios ao cristianismo

José Aurelio Paz, HAVANA, Cuba, Novembro 5, 2002

O grupo católico de reflexão Oscar Arnulfo Romero, desta capital, organizou no sábado, 2 de Taxi Heathrow Airport novembro, debate sobre "Os desafios ao cristianismo no terceiro milênio", e "A Igreja e o movimento de Jesus", que reuniu religiosos católicos, evangélicos, seguidores de religiões afro e não-crentes.

A atividade foi dividida em duas etapas: uma dedicada ao ecumenismo, tanto da visão católica como da protestante, e a segunda parte voltada ao "movimento de Jesus", com ênfase na pergunta "quem é Jesus de Nazaré?", a partir de uma perspectiva histórico-bíblica.

A irmã Noemí Rodríguez, da Congregação do Sagrado Coração, sublinhou que o cristianismo abarca uma minoria da população mundial, cada dia mais plural. Disse que existem muitas divisões entre os cristãos e fez um passeio pela história do ecumenismo. Explicou por que a Igreja Católica não pertence ao Conselho Mundial de Igrejas (CMI).

Para o reverendo Héctor Méndez, pastor da Igreja Presbiteriana Reformada de Havana e membro do Comitê Central do CMI, um dos principais obstáculos ao ecumenismo é que para a Igreja Católica "os protestantes não são igreja".

A irmã Rodríguez destacou a importância do Concílio Vaticano II na promoção da unidade dos cristãos e recordou a encíclica do papa João Paulo II - Ut unum sint (Que todos sejam um) -, do dia 25 de maio de 1995.

Os principais desafios que as igrejas enfrentam na atualidade, apontou Méndez, são as tentações de se converterem em alternativas do poder, substituindo inclusive partidos políticos, o fenômeno da globalização, o desenvolvimento tecnológico e como usá-lo, os problemas éticos, o narcotráfico e o terrorismo.

Na segunda parte, o professor Henrique López Oliva, secretário em Cuba da Comissão para o Estudo da História da Igreja na América Latina (Cehila) abordou, a partir de uma perspectiva histórica, a figura de Jesus.

O professor relatou a dificuldade que estudiosos e investigadores têm com as fontes, afora o problema de que os Evangelhos não podem ser considerados "fontes estritamente históricas", mas "testemunhos de fé". Frisou que os quatro evangelhos canônicos não são as únicas fontes existentes, mencionando os "apócrifos" e os "gnósticos".

López referiu-se às descobertas no alto Egito, em 1945, e em Qumrán, em 1947, que revelaram textos valiosos para o estudo dos antecedentes do cristianismo, o atual interesse dos judeus em relação a Jesus, como o Mestre é visto pelo homem contemporâneo e as novas interrogações que se manifestam hoje sobre o futuro do cristianismo.

O padre Evaristo Villar, que trabalha com comunidades de base na Espanha, insistiu de que é preciso, no estudo do cristianismo, partir da fonte: "quem é Jesus?" Ele chamou a atenção sobre os estudos históricos atuais em relação à pessoa de Jesus e o seu movimento, e sublinhou que a investigação sobre o Jesus histórico não terminou.

Diversos estudos, prosseguiu, percebem três momentos importantes no início do cristianismo: o carismatismo ambulante, caracterizado pelo menosprezo da família, da pátria e do dinheiro; a entrada dos gentios no cristianismo, e o patriarcalismo do amor, que teve o mérito de manter a memória de Jesus em meio a hostilidades.

Quanto à situação na Espanha, o padre Villar disse que a "descristianização na sociedade espanhola é notável", embora continue vivo um "cristianismo social" (batizados, bodas, etc.). Muitos espanhóis têm a idéia, disse, de que é conveniente acreditar em alguma coisa, "pois mal não vai fazer".

Mas existe, ao lado disso tudo, um "cristianismo militante", que atua em pequenos grupos, nos quais se percebe "mais confiança, mais consciência e um maior nível de preparação", relatou.


Ultimos titulares