
Aprovação de bispos anuncia mudanças na política chinesa do Vaticano
Manuel Quintero, , China, Setembro 21, 2007
Numa atitude que poderá refletir a nova realidade do catolicismo na China, o Vaticano deu Taxi Heathrow Airport sua aprovação explícita à ordenação de bispo da igreja católica oficial nesta localidade do sul do país.
Cerca de três mil fiéis, 40 sacerdotes e cinco bispos comparecem à cerimônia na Catedral de Guiyang, no dia 8 de setembro, quando o padre Paolo Xiao Zejiang foi ordenado bispo coadjutor da diocese de Guizhou.
Entre os bispos presentes estava monsenhor Hu Daguo, da chamada “Igreja Católica clandestina”, junto com o monesenhor Aniceto Wang Chongyi, bispo titular de Guizhou, mais o monsenhor Luigi Yu Runshen de Hanzhong, monsenhor Paolo He Zeqing, de Wanzhou, e o monsenhor Giuseppe Ma Yinglin, de Kunming, todos prelados da igreja oficialmente reconhecida pelo governo chinês.
À raiz do estabelecimento da República Popular Chinesa, em 1949, os católicos chineses se viram forçados a desenvolver vida cúltica em igrejas legalmente aprovadas pelo Estado, agrupadas na Associação Patriótica de Católicos Chineses, organismo fundado em 1957.
Desde então, o governo chinês recusou que o papa escolhesse os bispos católicos na China, enquanto o Vaticano se negou a reconhecer como bispos àqueles nomeados pelo governo que não se declarassem em comunhão com a Santa Sé.
Na prática, isso significou uma ruptura no seio do catolicismo na China: enquanto um setor se somou às congregações da Associação Patriótica de Católicos Chineses, outro setor preferiu manter seus vínculos com o Vaticano e praticar a fé na clandestinidade.
As igrejas “oficiais”, que formaram a Associação Patriótica de Católicos Chineses, romperam a comunhão com a Santa Sé e se negaram a aceitar a primazia do Pontífice de Roma, nomeando seus próprios bispos.
Em resposta, Roma exortou reiteradamente os católicos chineses “a não se submeterem aos modelos de uma Igreja que não corresponde à vontade do Senhor Jesus, à fé católica, ou aos sentimentos e convicções da grande maioria de católicos chineses”.
No final de maio deste ano, carta de Bento XVI abriu perspectivas de reconciliação no seio da Igreja Católica chinesa e de melhores relações com o governo do país mais populoso do mundo.
Na carta, o papa referiu-se ao clima de “suspeitas, acusações recíprocas e denúncias” no seio das comunidades católicas chinesas e à urgência “de confirmar na fé os católicos chineses e favorecer sua unidade com os meios que são próprios da Igreja”.
“O anúncio de Cristo crucificado e ressuscitado será possível na medida em que, com fidelidade ao Evangelho, em comunhão com o sucessor do apóstolo Pedro e com a Igreja universal, saibais pôr em prática os sinais do amor e da unidade”, diz a missiva.
Ao mesmo tempo em que recusa a ingerência do Estado nos assuntos internos da igreja, o Vaticano também se propõe a dialogar com o governo sobre os temas mais incandescentes: a ordenação dos bispos, a jurisdição eclesiástica e as relações diplomáticas.
Em resposta à carta de Bento XVI, o Ministério do Exterior chinês emitiu breve mensagem reiterando duas condições para o diálogo: a não-interferência nos assuntos internos da China e que o Vaticano rompa relações diplomáticas com Taiwan.
Contudo, o anúncio da Associação Patriótica de Católicos Chineses sobre a eleição de um novo bispo para a capital do país, emitido em meados de julho, parece indicar que Beijing também procura uma acomodação tácita com a Santa Sé.
Ainda que o sacerdote Joseph Li Shan, 43 anos, tenha sido instalado como bispo de Beijing sem a aprovação prévia do Vaticano, sua procedência de uma família católica tradicional e sua grande aprovação entre os fiéis motivaram uma positiva resposta da Santa Sé.
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, descreveu o novo bispo de Beijing como um candidato “muito bom e adequado”, e disse que a eleição realizou-se segundo os cânones da igreja oficial “e agora esperamos que o bispo eleito solicite a aprovação da Santa Sé”.
Provavelmente o Vaticano também apreciou favoravelmente que Li Shan tenha mantido uma maior independência frente ao Estado — diferentemente de seu predecessor, Michael Fu Tieshan, um firme apoiador do regime que nunca procurou reconciliar-se com o papa.
No entanto, a carta de Bento XVI e a conciliadora atitude do Vaticano geraram receios e críticas em setores da Igreja Católica não-oficial. Em particular, assinalam que a carta omite menção a bispos e sacerdotes que guardam prisão por manter-se em comunhão com o papa.
Nesse sentido, um porta-voz das congregações católicas não oficiais, o cardeal Joseph Zen Ze-kiun, bispo de Hong Kong, declarou que a igreja clandestina terá razão de existir enquanto as autoridades comunistas continuarem pressionando para controlar e subjugar a Igreja.

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