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Quinta-feira, 25 de Novembro de 2004 Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação

Richard Shaull, teólogo presbiteriano [Foto: Archivo ALC]
Richard Shaull, teólogo presbiteriano [Foto: Archivo ALC]

Cristãos das Américas consternados com falecimento de Shaull

FILADELFIA, Estados Unidos, Outubro 29, 2002

No sábado, 2 de novembro, a comunidade de Filadélfia, nos Estados Unidos, realizará culto em Taxi Heathrow Airport memória do teólogo e missionário presbiteriano Richard Shaull. Depois de longa enfermidade, Shaull faleceu na sexta-feira, 25.

O falecimento do missionário, que atuou na Colômbia e no Brasil nos anos 60 do século passado, motivou pesar e expressões de reconhecimento em diferentes círculos eclesiásticos pelo trabalho realizado.

Nos últimos anos, Shaull ministrou aulas no Seminário Teológico de Princeton, foi conferencista em vários seminários latino-americanos e dedicou-se especialmente ao estudo do pentecostalismo.

Em colaboração com o sociólogo brasileiro Waldo César, Shaull publicou, em 2000, o livro "Pentecostalismo e o futuro das igrejas cristãs: promessas, limitações e desafios".

Waldo César acompanhou os últimos dias de vida de Shaull e ficou profundamente impressionado com a firmeza espiritual e a lucidez do colega norte-americano na leitura e interpretação do quadro internacional e o futuro da igreja.

No próximo mês, o missionário presbiteriano completaria 83 anos. Ele não conseguiu ver impresso seu último livro "Surpreendido pela graça: minha luta contra o câncer", no qual recolhe suas memórias como teólogo nos Estados Unidos e na América Latina.

Segundo César, o livro mostra a fabulosa caminhada ecumênica de Shaull, sua contribuição à teologia latino-americana, sua preocupação com a presença e o testemunho da igreja na sociedade e, finalmente, sua visão do pentecostalismo como força espiritual.

Em entrevista à ALC, César historiou a trajetória de Shaull, que saiu do Brasil em 1962, depois de ser expulso do Seminário Presbiteriano de Campinas. Durante 20 anos, por razões políticas, foi proibido de regressar ao país que tanto amou. Voltou em 1982, e ficou surpreso com o crescimento pentecostal. Dedicou-se, então, ao estudo desse fenômeno sócio-religioso.

Leopoldo J. Niilus, ex-diretor de Assuntos Internacionais do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), e um dos líderes mais importantes do movimento Igreja e Sociedade na América Latina (Isal) nos anos 60 e 70, destacou "a profunda solidariedade de Shaull com os homens e mulheres latino-americanas, e a lúcida compreensão que ele teve pelas lutas e sonhos da América Latina". Sem dúvida alguma, Shaull continuará mestre e guia de futuras gerações para os latino-americanos. "Oxalá também para os norte-americanos", afirmou Niilus.

O ex-secretário geral do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), Gérson Meyer, disse que o ministério do reverendo Richard Shaull no Brasil "foi marcado pelo seu amor à Igreja e à nossa terra". Sua influência sobre a juventude cristã, especialmente sobre seus alunos de Teologia, marcou profundamente uma geração de pastores, escritores e pensadores no Brasil, acrescentou.

"Quando Richard foi para Princeton terminar o seu doutorado, tive o privilégio de assumir o seu lugar como professor na cadeira de História da Igreja no Seminário Presbiteriano de Campinas. Digo `assumir o seu lugar' porque Richard era insubstituível. Seu ministério continua hoje através de seus livros e exemplo de vida", disse Meyer.

O teólogo peruano Bernardo Campos destacou a contribuição de Shaull para a análise do fenômeno do pentecostalismo na América Latina. Há pouco mais de um ano, ao compartilhar com Shaull uma cadeira sobre o pentecostalismo no Seminário Presbiteriano do México, Campos perguntou-lhe: "Por que um teólogo do gabarito de Richard Shaull, teólogo da libertação, devia preocupar-se com os pentecostais até o final de seus dias?"

- Porque os pentecostais representam os setores marginalizados da América Latina no lado religioso, embora isso não seja uma novidade, mas sobretudo porque neles vejo sinais de esperança, respondeu.

Shaull prosseguiu na explicação:

- Em sua liturgia, construída sobre o cotidiano e a partir da dor de Deus, isto é, do sofrimento e da agonia, eles edificam imaginários de esperança. Eles me ensinaram a ver o mundo de outra maneira: com mais doçura do que amargura; com mais alegria do que dor; com esperança e não com nostalgia de uma condição de classe perdida.

Campos disse à ALC que Shaull "nos ensinou a fazer teologia a partir dos pobres. Mais que uma massa de religiosos adormecidos pelo sistema, ele nos ensinou a ver nos pentecostais latino-americanos um conglomerado de pessoas que, a partir do seu mundo religioso, constroem diques de esperança".

Alfredo Yong

Mis condolèncias

Eriberto Soto

Gracias por el excelente articulo sobre el Profesor Richard Shaull. Lo conocí personalmente y realmente amaba a cristo y la América Latina. Ojalá otros tomen su manto.