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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Comunidades de fé devem ser escolas de amor ao próximo

Micael Vier B., SAO LEOPOLDO, Brasil, Setembro 4, 2007

Lembrando o ex-presidente sul-africano, Nelson Mandela, o coordenador da Comissão Ecumênica Nacional de Combate ao Racismo (Cenacora), reverendo Olimpio de Sant’Ana, disse que ninguém nasce odiando a outra pessoa pela cor de sua pele. Sant’Ana fez um chamado para que as comunidades de fé sejam escolas que ensinem a amar sem rancor ou ódio.

Sant’Ana coordenou encontro de estudos que analisou a cartilha do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), intitulada “Justiça Transformadora: Ser Igreja e Superar o Racismo”, editada em 2004. O encontro foi organizado pelo Grupo Identidade, da Escola Superior de Teologia (EST), e esteve reunido em São Leopoldo, dias 31 de agosto e 1 de setembro.

O professor de Ecumenismo da EST, Rudolf von Sinner, afirmou, em painel sobre Diálogo Inter-Religioso, que o atual quadro brasileiro não é testemunho de ecumenismo, mas de separação, competição e até mesmo de agressões. "O discurso competitivo de algumas igrejas despreza, rejeita e até mesmo combate outras religiões, fatos estes que desestimulam o diálogo", anotou.

Segundo von Sinner, o diálogo inter-religioso pressupõe uma dada disposição das comunidades e de seus membros para olhar, ouvir e falar. Isso representa a necessidade de uma abertura, de um interesse pelo outro e de uma posição própria a ser compartilhada.
 
O pastor Marcelo Schneider, que assessora o moderador do CMI no Brasil, pastor Walter Altmann, disse, no painel, que o conceito de justiça restauradora não está baseado em indenizações, embora estas sejam necessárias, mas concentra esforços na transformação dos agressores que, na maioria das vezes, continuam a reproduzir atos discriminatórios disfarçados de caridade.

"A justiça restauradora dá prioridade à reconciliação e à cura da comunidade em comparação ao entendimento de justiça baseado em retribuição, que quer a punição dos culpados a qualquer custo", afirmou Schneider.

Na perspectiva por ele apresentada, torna-se imprescindível para a superação de qualquer ato discriminatório o reconhecimento de que o fato de ser membro da igreja vai além da sua própria denominação, e que outras denominações também possuem os elementos da verdadeira igreja. "Precisamos falar de Deus através de linguagens e imagens que remetem não só à perfeição, mas à capacidade humana para o bem, a justiça, a compaixão e o amor", acrescentou.

A cartilha do CMI estudada no encontro de São Leopoldo pretende colaborar para a formação de comunidades verdadeiramente multirraciais e étnicas, capazes de proteger a diversidade e onde os direitos e as obrigações de todos sejam plenamente respeitados em amor e comunhão.

O CMI representa a mais ampla e inclusiva entre as muitas expressões modernas do movimento ecumênico. Engloba 348 igrejas, denominações e fraternidades de igrejas em 120 países e territórios ao redor do mundo, acolhendo 560 milhões de cristãos.