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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007

 [Foto: El Nuevo Diario]
[Foto: El Nuevo Diario]

Vereadora de Bogotá pede que religiosos violadores sejam denunciados nos muros da infâmia

BOGOTA, Colombia, Agosto 27, 2007

Os primeiros que devem constar nos denominados muros da infâmia são os sacerdotes e os pastores que, aproveitando-se da condição de poder ou de afeto, abusam sexualmente de crianças e adolescentes, pediu a vereadora distrital Gilma Jiménez, de Bogotá.

“As igrejas, em especial a Católica, à qual pertenço, tem que reagir de imediato diante esse tipo de delito de lesa humanidade. Não podem continuar protegendo os delinqüentes que aproveitam o hábito para submeter crianças às suas aberrações sexuais”, disse a vereadora.


Jiménez pediu aos líderes da Igreja Católica e das outras confissões religiosas para que levantem as prerrogativas daqueles sujeitos que estão sendo questionados moral e eticamente. Ela quer que a Justiça colombiana possa investigá-los sem nenhuma restrição.

A vereadora espera que os primeiros “muros da infâmia” sejam instalados nos próximos 15 dias, enfatizando que vai propor a instalação de cartazes especiais para mostrar os religiosos envolvidos em delitos sexuais. Jiménez destacou-se por seu trabalho em defesa de meninas e meninos de Bogotá.

Presidentes de denominações evangélicas aplaudiram a exigência da vereadora, que recordou, mediante direito de petição enviado à igreja Católica, que “todas as instituições públicas e privadas, as instituições religiosas e a comunidade em geral, estão amparados e regidos pela mesma Constituição, a qual assinala, no artigo 44, a “prevalência dos direitos das crianças sobre os direitos dos demais”.

“Esse princípio, que tem muito dos ensinamentos de Jesus Cristo, é um direito das meninas e meninos e não é negociável para nenhum membro da nossa sociedade. Além de um imperativo legal, é uma obrigação ética e moral para qualquer membro da sociedade”, frisou.

No ano passado, informou a vereadora, foram praticados mais de 20 mil casos de violência sexual, 17 mil em menores de idade e, destes, cerca de 15 mil em menores de dez anos, dos quais 70% dos casos não foram denunciados.

“As condenações são poucas e as penas são vergonhosas, como a imposta a Víctor Blanco, um sacerdote de Cali, que foi condenado a escassos 54 meses de prisão por violar dois meninos que estavam sob seus ‘cuidados’ numa instituição de proteção social. Este condenado aparecerá nos Muros da Infâmia. Tudo isto é uma vergonha para o nosso país”, afiançou a vereadora.

Jiménez afirmou que “80% dos agressores são familiares e conhecidos dos menores. Quando o agressor é próximo à vítima e este ostenta uma condição de poder como a de um sacerdote, que é também um guia espiritual, viola-se a esperança, a confiança e, pior ainda, a fé na Igreja”.