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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2004

A espiritualidade hoje

Víctor Rey, SANTIAGO, Chile

Quando falamos de espiritualidade, estamos falando de busca da relação do ser humano com o Taxi Heathrow Airport ser supremo.

Para nós, cristãos, esse ser supremo é Jesus Cristo. Portanto, nossa relação se dá com Cristo, que é entendido a partir da perspectiva de nossa fé fundamentada na Palavra de Deus. É um Deus vivo, ativo na história e que está no meio de nós.

Assim, devemos reconhecer que nossa espiritualidade, quer dizer, nossa relação com Deus nem sempre se dá dentro do marco correto, e que está viciada por nossa própria vida e nossa relação com a Igreja e o mundo. Isso resulta, não raro, numa falsa espiritualidade, já que às vezes se confunde espiritualidade com emocionalismo.

Para outros, a espiritualidade é identificável com a projeção de seus pensamentos e sentimentos, os quais se revestem de um caráter sagrado. Para terceiros, a espiritualidade é um escapismo, é uma espécie de refúgio onde guarnecer-se das batalhas da vida, onde encontrar-se mentalmente seguro num mundo marcado pela insegurança, incerteza e medo.

Portanto, essa espiritualidade com sentido de refúgio, com sentido de gueto, projetada no mais além, que não é coerente nem capaz de viver aqui, é, da minha perspectiva, uma falsa espiritualidade.

Limitando-nos à ação e missão do Espírito Santo hoje devemos dizer que a penetração do Espírito Santo na história, e mais especificamente na Igreja, veio a ser como o grande começo do Reino de Deus entre nós. O Espírito Santo que sempre esteve presente – encontramo-lo em toda a teologia do Antigo Testamento – se faz presente de uma forma especial, com um dinamismo especial, a partir do acontecimento histórico de Pentecostes.

O que Cristo havia ensinado com sua vida, fatos e palavras acerca do Reino, agora a Igreja devia praticá-lo, vivê-lo, e isso só lhe seria possível com o auxílio do Espírito Santo.

O elemento que nos faz dar o salto qualitativo para o Reino de Deus é justamente o poder do Espírito. É o poder do Espírito Santo que nos permite pôr dentro do marco do possível tudo aquilo que humanamente é impossível. É atrever-se a sonhar, sabendo que nossos sonhos podem ser realidade pelo poder do Espírito Santo. E isso é Boa Nova para hoje.

O Espírito Santo está na mesma origem da missão cristã. O Espírito Santo é quem nos dá força para cumprir a missão e é ele que nos garante o resultado de nossa missão.

De nada vale que tomemos consciência de qual é nossa tarefa missionária, se não temos o poder para faze-la. Lamentavelmente, muitas de nossas igrejas não chegam, às vezes, a ser mais do que "clubes de boa vontade", e isso porque elas não têm o poder para fazer que essa boa vontade seja efetiva. O livro de Atos dos Apóstolos nos diz, em 1,8: "... mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo".

O Espírito Santo já veio. Não é, então, com astúcia ou com força humana, mas reconhecendo o poder de Deus que se realiza a missão. Um poder que se manifesta em todas as ordens da vida.

Deus permita que em nossa vivência de fé, em nossa espiritualidade, possamos colocar nossas forças e nossas capacidades de tal maneira nas mãos de Deus que, numa entrega sacrificial por seu Reino sejamos úteis à sua causa, mas sabendo, em última instância, que nada podemos fazer se não for com o poder de Deus, o poder do Espírito Santo.

O Espírito Santo é quem nos ajuda para que nossa espiritualidade seja uma espiritualidade comprometida. É a única maneira para que uma espiritualidade possa ser chamada cristã.

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Victor Rey é pastor batista chileno, dirigente da Fraternidade Teológica Latino-Americana e responsável pelas Relações Eclesiásticas de Visão Mundial.