Voltar ao início

Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Evangélicos refletem sobre acordos de paz

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Agosto 7, 2007

Os acordos de paz assinados pelos presidentes de países da América Central em Esquipulas, na Taxi Heathrow Airport Guatemala, completam hoje 20 anos e os acordos de Sapoa, que culminaram com a guerra da resistência com o exército da Nicarágua, 19 anos.

Os acordos de 7 de agosto de 1987 estabeleceram a paz na conturbada região. Eles firmaram que o governo da Nicarágua e os Contra, apoiados pelos Estados Unidos, deviam cessar as hostilidades e discutir maneiras de se alcançar a paz.

Essa discussão foi realizada na reunião de Sapoa, comunidade fronteiriça com a Costa Rica, e que deu origem à assinatura de um acordo entre a liderança dos Contra, representada por Adolfo Calero Portocarrero, e o vice-presidente da República na época, o escritor Sergio Ramírez Mercado. Foram testemunhas dos convênios de paz o cardeal Miguel Obando y Bravo e o então secretário da Organização dos Estados Americanos (OEA), Joa Baena Soares.

O Diretor do Centro Intereclesial de Estudos Teológicos e Sociais (Cieets), o teólogo menonita Jairo Arce, disse que completados 20 anos da assinados dos acordos de paz ainda há violência estrutural, violência intrafamiliar e física presente na região. Quase diariamente ocorrem crimes e suicídios que são sintomas de uma sociedade enferma.

Para o teólogo menonita, os políticos só pensam em encher seus estômagos e não se preocupam em contribuir para o estabelecimento da paz social e o fim do desemprego. “A paz e o emprego são vitais, mas os políticos vivem concentrados em defender seus interesses de poder e não se preocupam em promover projetos sociais que minimizem a pobreza”, expressou.

Para o pastor batista e presidente fundador do Conselho de Igrejas Evangélicas Pró Aliança Denominacional (Cepad), Gustavo Adolfo Parajon, os acordos foram muito positivos para a Nicarágua, que vivia seus piores momentos numa guerra entre irmãos.

Os acordos, analisou, ofereceram oportunidade para o estabelecimento de uma saída negociada à guerra entre Contras e o exército. Depois da assinatura dos acordos de Sapoa foram realizadas as eleições de 1990, quando a viúva de Chamorro, Violeta, saiu vitoriosa.

Segundo Parajon, Violeta Chamorro desempenhou um papel fundamental para a reconciliação e a paz. Hoje, 20 anos depois, há sérios problemas de pobreza e os que mais sofrem são os moradores da área rural por causa da escassez de cobertura dos serviços de saúde e educação.

O pastor batista Marcelino Basset disse que os acordos estão dando resultados, mas ainda falta muito para se alcançar a paz social e a justiça com eqüidade.