Trajetória de uma militância educacional – Do sistema freireano ao letramento sócio-histórico.
SAO LEOPOLDO, Brasil, Julho 30, 2007
Cornelis e Marisa Salete van der Poel
Editora Oikós – 276p.
As pessoas que teorizam Taxi Heathrow Airport e praticam a concepção de educação de Paulo Freire tendem a transcender o próprio autor. Todavia, essa transcendência não acontece através da busca por novos autores e por novas teorias, mas pela auto-emancipação do próprio educador. O educador também participa e evolui através das experiências educativas que identificam elementos de opressão e de libertação das pessoas e das comunidades. A proposta freireana de educação recria e emancipa o próprio educador na experiência. A educação como prática da liberdade e de auto-emancipação que o educador criar na sua relação com o educando. Desta forma, o educador também se auto-emancipa e, devido às condições históricas, torna-se também um(a) autor(a): Salete e Cornelis.
O “método” de Letramento Sócio-Histórico constrói uma concepção muito criativa de realidade. A realidade sócio-histórica como conteúdo educativo solicita do educando, não somente um apossar-se da realidade, mas, que ele construa e crie um projeto de vida para si, com o qual ele possa se auto-emancipar através da transformação da própria realidade. Transformando a realidade ele se transforma a si mesmo; e transformando a si mesmo ele transforma também a realidade. Por isso: sócio-histórico.
Um aspecto importante da pedagogia de projetos significa isto: que os educandos criem para si e com as comunidades processos de auto-emancipação. E estes processos de auto-emancipação têm origem nas suas capacidades de criarem novas concepções das coisas, isto é, de pessoa humana, de sociedade humana e de tudo aquilo que de algum modo lhe interessa experimentar. Portanto, há que construir novas concepções das coisas, isto é, novas realidades e novos ingredientes que se quer começar a experimentar. Neste sentido, há uma ligação muito grande entre tudo o que acontece em termos de alfabetização e de transformação da realidade.
Se o cotidiano requer um ir além, aspectos significativos deste além podem estar contidos no desenvolvimento de novos conceitos e novas concepções sobre as coisas do próprio cotidiano. Num primeiro movimento, estes novos conceitos e novas concepções permanecem apenas no âmbito do conhecimento e da consciência, isto é, da linguagem e das comunicações. Todavia, para poderem ser praticados, precisam estar forjados em projetos que sustentam a práxis social das pessoas e das comunidades. Por isso, a idéia da pedagogia de projetos. E a grande “sacada” é poder fazer tudo isto através de processos de letramento.
As realidades iniciais do letramento, que são o contexto e as pessoas, sofrem mutações no transcurso do processo, pois elas sofrem permanentes processos de re-conceituações e de práticas. A expressão “letramento sócio-histórico” é uma tentativa de compreender e de significar este fenômeno.
Esses cinco parágrafos são uma tentativa de síntese criativa do livro de Cornelis e de Salete, intitulado: Trajetória de uma militância educacional: do sistema freireano ao letramento sócio-histórico. O exercício da crítica do seu próprio trabalho é que faz Cornelis e Salete evoluírem para além da teoria e da prática de Paulo Freire. Todavia, por um lado, isto é também Paulo Freire. Mas, por outro lado, tudo isto agora é Cornelis e Salete. Bem, esta é uma evolução que todo o educador(a) gostaria de experimentar. E este é o grande elogio que todo o educador(a) gostaria de receber.
José Renato Soethe - Mestre em Educação e Doutor em Ciências da Comunicação
Informações: contato@oikoseditora.com.br – confira também www.oikoseditora.com.br

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