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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

Aprendizados - A ONG de serviços Diaconia comemora 40 anos de fundação

Sérgio Andrade, RECIFE, Brasil, Julho 28, 2007

É de se esperar que qualquer organização que esteja completando 40 anos de existência tenha Taxi Heathrow Airport inúmeros motivos para comemorar. Afinal, quatro décadas de presença na sociedade brasileira podem revelar maturidade institucional, gestão com credibilidade,  relevância histórica e sólidas parcerias – marcas presentes na trajetória da Diaconia, ONG evangélica fundada em 1967, com sede atual em Recife e escritórios nos Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará.

No entanto, mais que celebrar, no seu aniversário a Diaconia nutre e reafirma algumas certezas balizadoras de sua missão e trajetória. Mais que elementos notórios em alguns de seus projetos e suas ações, estas convicções surgem como resultados de um processo permanente de aprendizado que possibilita a renovação de suas forças para a permanente luta pela construção de um país sem excluídos.

Em 40 anos estamos aprendendo que não existimos isoladamente. Ações transformadoras solicitam, sempre, outras companhias. Nas relações de apoio e sustentabilidade, particularmente com agências e outros parceiros, a comunicação permanente, a transparência e a objetividade alimentam uma disposição co-responsável pelo trabalho de todos.

Nos espaços de articulação, diálogo e mobilização se estabelece a importância da presença dos diversos atores sociais, que a partir de suas experiências e seus acúmulos trocam saberes, unificam convicções, pensam e agem estrategicamente para o bem-comum. Nas ações protagonizadas por agricultores e agricultoras, homens, mulheres, jovens, adolescentes, crianças, pastores, pastoras, líderes comunitários e tantos outros, se evidencia o significado da palavra  “comum-unidade” (comunidade).

Em 40 anos estamos aprendendo que é possível transformar o “impossível”. As condições de probreza e exclusão, inúmeras vezes claras e/ou disfarçadas nas cidades e nos campos podem ser alteradas, pois são resultantes, entre outros fatores, do acúmulo, da exploração, da má utilização dos recursos públicos, da corrupção e da inércia das instâncias governamentais e da sociedade civil.

Uma breve incursão ao semi-árido brasileiro revelará que é possível ao agricultor a convivência com a seca, a família, a produção da terra e a dignidade. O clima, o ciclo das chuvas e a sequidão do solo não mudaram, mas através das ações da ASA (Articulação do Semi-Árido),  foram mudadas as condições de vida, o cuidado com as águas, as formas de plantio, o manejo da terra e o acompanhamento de políticas voltadas à região. Vidas transformadas.

Finalmente, em 40 anos estamos aprendendo que a presença de Deus é clara entre nós quando pessoas expressam, através de suas vidas, sentimentos, valores e práticas repletas de justiça, paz, cuidado, inclusão, respeito, esperança, solidariedade, prevenção, autonomia e vida.

Tais realidades nas histórias de tantas pessoas nos fazem agradecer e seguir adiante, sempre aprendendo.

* Arnulfo Barbosa é diretor executivo da ONG de serviço Diaconia e Sérgio Andrade é o coordenador do Programa de Apoio à Ação Diaconal das Igrejas.