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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Teologia nicaragüense está muda

Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Julho 26, 2007

A teologia da Nicarágua dá muita tristeza porque até hoje não se pronunciou frente ao Taxi Heathrow Airport direito da mulher no caso do aborto terapêutico, comentou o italiano Piero Saldini, ao participar, na Universidade Evangélica Nicaragüense (UENIC), da jornada teológica "Sandino Vive". O evento foi promovido pelo Centro de Estudos Internacionais (CEI), no dia 19 de julho.

Na jornada, os teólogos Benjamín Cortes e José Miguel Torres trataram de responder a questão: "Há futuro para uma teologia libertadora na Nicarágua?" A teologia deve ser profética, independente de qualquer poder, disse o italiano.

O teólogo e reitor da UENIC, Benjamín Cortes, disse que na Nicarágua há tentativas de mudança em pequenos movimentos sociais, mas o acompanhamento de certos setores ainda é precário, assim como o surgimento de novas vozes proféticas do ecumenismo. "Tentamos fazer algo, mas não é suficiente e não é fácil lutar contra tanta corrupção e violência estrutural. O positivo dos evangélicos é que descobriram o povo e sua luta libertadora e já não são tão apolíticos", respondeu Cortês.

O pastor batista e professor do Instituto Martín Luhher King, José Miguel Torres, alertou que a teologia na Nicarágua está muda e em crise. Ele criticou que a missão de muitas igrejas evangélicas tornou-se pavorosa com a Teologia da Prosperidade "com o comércio invocando o sangue de Cristo".

Durante a jornada também ocorreu a apresentação do livro "Sandino, mística, liberdade e socialismo", de Alejandro Bendaña, ex-funcionário do governo sandinista em 1980. Bendaña declarou-se pela luta dentro de uma esquerda soberana e nacionalista, que não se submeta aos ditames do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Até hoje não vi a existência dessa esquerda na Nicarágua", sublinhou.

Bendaña sugeriu um debate público sobre o que foi o socialismo do século passado porque "não cabe repassar o passado histórico para corrigir nossos erros", disse. O ex-funcionário sandinista também criticou os governos anteriores porque deixaram que o capitalismo selvagem avançasse.