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Segunda-feira, 17 de Maio de 2004

Doutor Oneide Bobsin
Doutor Oneide Bobsin

Vitória da Fraqueza na Escola da Vida

Oneide Bobsin, SAO LEOPOLDO, Brasil

A chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao segundo turno das eleições presidenciais no Taxi Heathrow Airport Brasil, com aproximadamente 40 milhões de votos, permite-nos  interpretações que não se prendem ao significado político partidário e ideológico.

Podemos olhar para os resultados das eleições presidenciais do Brasil do ponto de vista da educação. Afinal, por mais importante que sejam as instituições de educação formal, é inegável as lições de vida fora dos espaços escolares. Nesta perspectiva, a chegada ao segundo turno de um operário metalúrgico, filho de imigrantes oriundos das áreas pobres do nordeste brasileiro, representa uma enorme aprendizado.

O avanço da democracia nas últimas três décadas e os sucessivos processos eleitorais com a presença de Lula aprofundam a educação popular. Aos poucos realiza-se a pedagogia libertadora de Paulo Freire. Segundo este grande educador, é necessário arrancar de dentro do oprimido o opressor que o colonializa.

Diferente de outras eleições, desta vez o preconceito contra o povo trabalhador foi bem menor. O candidato oficial,  formado em boas universidades nacionais e estrangeiras, tentou trazer para a tela a velha crítica elitista, de acordo com a qual só os bem formados são capazes de governar. Mas foi obrigado a voltar atrás. E o fez pressionado pela avanço da cidadania  de parcelas cada vez maiores de nosso povo.

O próprio presidente, intelectual reconhecido internacionalmente, veio a público dizer que estava em jogo a campanha para a presidência da República, e não um concurso para uma Universidade.

Aliás, o  presidente sabe que grande parte das pessoas que passaram pelas universidades há tempo vem votando em Lula.  Como também sabe que o exercício da presidência requer muito mais do que um diploma universitário. 

As sucessivas eleições  dos últimos trinta anos  ajudaram  as classes  excluídas da educação formal a confiarem  em si. De certa forma, votar no Lula para o cargo político mais alto de uma nação cuja economia situa-se entre as dez maiores do planeta é aprender a se auto-valorizar, a elevar  a auto-estima e a se tornar protagonista da história. Eis a grande lição que parcelas importantes dos excluídos  e das categorias de trabalhadores/trabalhadoras estão aprendendo.

Portanto, de eleição em eleição, com erros e acertos, nosso povo foi aprendendo uma das grandes lições da vida: não servimos apenas para trabalhar; temos condições de governar.

Se este aprendizado popular representa uma novidade no campo da política,  o mesmo não podemos dizer da tradição cristã. Vejam o que o apóstolo Paulo falou há quase dois mil anos: Para envergonhar os sábios, Deus escolheu aquilo que o mundo acha loucura; e para envergonhar os poderosos, ele escolheu o que o mundo acha fraco. ( 1Coríntios 1.26-31).

Nas eleições não foi Deus quem escolheu Lula; foi o exercício da cidadania pelo voto que colocou no segundo turno, com enormes chances de chegar à presidência. Agora,  um operário e um grande empresário, trazem a esperança de algo diferente depois de quinhentos anos de opressão.

Independente dos resultados das eleições no segundo turno, já podemos agradecer pela educação política que Luiz Inácio Lula da Silva oportunizou ao povo brasileiro.

Portanto, pela fé já aprendemos que o poder se aperfeiçoa na fraqueza; agora, pelas eleições, estamos aprendendo que um Governo muda quando o povo muda e que é forte quando se esvazia.

Na escola da vida e da luta estamos aprendendo a vencer sem derrotar.  Obrigado, Lula!

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Oneide Bobsin, pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e professor de Ciências das Religiões da Escola Superior de Teologia de São Leopoldo/RS/Brasil