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Domingo, 30 de Maio de 2004

Luteranos vão participar do Fórum Social Mundial

Edelberto Behs, FLORIANÓPOLIS, Brasil, Outubro 17, 2002

Igrejas luteranas do Cone Sul, em conjunto com a Federação Luterana Mundial (FLM), participarão com Taxi Heathrow Airport oficinas na terceira edição do Fórum Social Mundial, agendado para os dias 23 a 28 de fevereiro, em Porto Alegre. Os presidentes das igrejas Evangélica Luterana Unida (IELU) e Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) vão definir o enfoque temático dessa participação.

A quarta edição do Fórum Social Mundial acontecerá na Índia. Pensando nisso, a FLM deverá incorporar na sua delegação ao Fórum de Porto Alegre representantes de igrejas daquele país asiático, para que se conectem ao processo. Intolerância religiosa, dívida externa e Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) são temas que podem ser incorporados à agenda de debate das igrejas no Fórum de 2003.

Exemplos do que pretendem debater não faltam ao redor. O quadro da Argentina é emblemático, em todos os sentidos. "Foi o país que melhor aplicou a receita do Fundo Monetário Internacional" e também é paradigmático pelo abandono em que foi deixado depois da bancarrota, assinalou Gustavo Drian, secretário de Projetos do escritório conjunto das igrejas luteranas que atuam na Argentina, Paraguai e Uruguai.

Hoje, dos 36 milhões de argentinos 18 milhões encontram-se abaixo da linha de pobreza (não têm recursos para comprar a cesta básica) e 6 milhões vivem na indigência (com menos de um dólar por dia). "Nossa debilidade, falta de coesão social, ausência de participação cidadã, inclusive a corrupção, embora ela sempre existisse no país, foram incentivadas pelas transnacionais", relatou Drian à ALC.

A dívida externa argentina já foi paga, pelo menos três vezes. "Ela é ilegítima e um delito, tanto dos tomadores dos empréstimos como dos credores", definiu Drian. Ele tem uma posição diferente dos que defendem a condenação pura e simples da dívida externa ou dos que propugnam mecanismos de insolvência dos países endividados.

"Esses modelos implicam impunidade e as igrejas têm compromisso com a justiça", disse o relator da FLM para assuntos da América Latina e do Caribe, pastor Martin Junge, em entrevista para a ALC. "Não se trata nem de condenação nem de insolvência, mas de legitimidade da dívida", acrescentou.

A FLM está incentivando as 135 igrejas membros para que discutam a globalização econômica e suas conseqüências. Junge entende que um tema que deve interessar de perto as igrejas da região é a ALCA, encarada de modo muito crítico por setores da sociedade.

Na Argentina, o processo eleitoral brasileiro, culminando com as eleições de 27 de outubro, é acompanhado com vivo interesse. De um modo geral, os argentinos, segundo Drian, torcem por uma vitória do Partido dos Trabalhadores (PT), pois acreditam que assim o Mercosul será fortalecido, o que beneficiará a combalida economia do país vizinho.