Pacto entre católicos e sandinistas fere justiça, alegam evangélicos
Trinidad Vásquez, MANAGUA, Nicaragua, Outubro 10, 2002
Um presumível pacto firmado entre o cardeal Miguel Obando y Bravo e Daniel Ortega, líder Taxi Heathrow Airport da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), preocupa líderes evangélicos pelas conseqüências que o mesmo poderia ter na aplicação da justiça no país.
Segundo analistas, o pacto permitiu a reeleição de Roberto Rivas como presidente do Conselho Supremo Eleitoral (CSE), e de Emmet Lang, militante da FSLN, como vice-presidente do órgão público.
Acontece que Rivas está sendo investigado pela Controladoria da República por esbanjamento na administração passada. Além de reelegê-lo ao cargo, o pacto teria eximido Rimas do incômodo de ser levado à justiça.
O vice-presidente da Comunidade Cristã Mesoamericana, pastor Benjamín Cortés, disse que o pacto representa um obstáculo para o império da justiça na Nicarágua.
O Conselho de Igrejas Evangélicas Pró-Aliança Denominacional (Cepad), através de seu órgão oficial - a Rádio Cepad -, refutou o pacto, porque, entende, ele aumenta a tensão na crítica situação política e econômica do país.
O pastor Gustavo Leyton, secretário da Junta Diretiva do Cepad, disse que se confirma, uma vez mais, que a Igreja Católica é o poder atrás do trono. Até a terça-feira, o presidente Enrique Bolaños nada informara a respeito do pacto.
Leyton acrescentou que é triste para o sandinismo ver que Ortega negocia quotas de poder e cargos públicos. Com tais atitudes, Ortega destrói a Convergência Nacional e a credibilidade da FSLN, argumentou.
Ele elogiou, contudo, a atitude do controlador Luis Angel Montenegro e a renúncia do jurista Sergio García Quintero da Convergência Nacional, que criticou o cardeal Obando por não dizer a verdade ao público.
"A negociação (Obando-Ortega) é um duro golpe na justiça e na luta contra a corrupção", comentou García Quintero. Depois do pacto, ironizou, Ortega continua sendo uma víbora para o cardeal, mas uma víbora santificada.
Como professor de Teologia, o pastor Cortés manifestou-se preocupado com as conversações do presidente Bolaños, o cardeal Obando e Daniel Ortega. "Para ninguém é segredo a malversação de impostos dos contribuintes na administração do ex-presidente Arnoldo Alemán. A posição da Igreja Católica não corresponde com a ética cristã que ela deve guardar. Esses pactos não contribuem para o processo de governabilidade", denunciou.
Cortés anunciou para os próximos dias uma reunião de líderes evangélicos para discutir mais sobre o tema. Na terça-feira, 8, a Conferência Episcopal emitiu carta de esclarecimento, garantindo que não existe nenhum pacto entre o cardeal Obando y Bravo e Daniel Ortega.
Trata-se de um ataque embusteiro promovido por alguns meios de comunicação, explicou dom Eddy Montenegro, do arcebispado de Manágua. Montenegro é pároco da Igreja Santa Marta. Ele é acusado de receber 18 mil dólares em doações dos magistrados do CSE.
O pastor Norman Bent, procurador especial para os povos indígenas, declarou que a reeleição de Rivas à presidência do CSE é "uma vergonha nacional". Ele acusou Rivas de racista, pois jamais preocupou-se com os problemas da costa atlântica.
O líder da juventude, David Alvarez, funcionário da Aliança Evangélica Nicaragüense, disse que o pacto Obando-Ortega é um fato consumado, e que os evangélicos têm que seguir lutando pela causa dos humildes.
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