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Segunda-feira, 31 de Maio de 2004

Rosinha Garotinho, governadora do Rio de Janeiro, veta projeto de lei sobre ensino religioso não confessional
Rosinha Garotinho, governadora do Rio de Janeiro, veta projeto de lei sobre ensino religioso não confessional

Evangélicos elegem governadora, senador, deputados federais e estaduais

Edelberto Behs, RIO DE JANEIRO, Brasil, Outubro 8, 2002

Conquistando mais de 4,1 milhões de sufrágios nas urnas, perfazendo 51,3% dos votos válidos, a Taxi Heathrow Airport candidata do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e da Coligação Rio Esperança, Rosinha Garotinho, 39 anos, chega ao governo do Rio de Janeiro já no primeiro turno das eleições, vencendo outros oito candidatos, entre eles a governadora Benedita da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT).

Rosinha é esposa do ex-governador Anthony Garotinho, candidato derrotado à corrida presidencial.

O Rio de Janeiro é o Estado onde evangélicos talvez mais se destacaram, na eleição 2002, na conquista de cargos eletivos. Rosângela Rosinha Garotinho Barros Assed Matheus de Oliveira, ou Rosinha Garotinho, como prefere, é presbiteriana e venceu nas urnas outra evangélica: a governadora Benedita. Ela é casada com Garotinho há 21 anos. O casal tem nove filhos, cinco dos quais adotivos. Assim como o marido, Rosinha é radialista de profissão.

A governadora eleita iniciou sua militância política com Garotinho, em 1981, no PT de Campos, no Rio, onde trabalhavam. Em 1983, os dois filiaram-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), do líder Leonel Brizola, com quem Garotinho se desentendeu. Acabaram no PSB. Rosinha chega ao seu primeiro cargo eletivo. Nos três anos do governo Garotinho, Rosinha foi secretária de Ação Social. Ela elegeu-se com o discurso de que dará continuidade aos projetos iniciados pelo marido.

Foi da secretaria de Ação Social que ela puxou o mote de sua campanha política: o cheque-cidadão e os restaurantes populares, que vendem refeições a um real (0,35 centavos de dólar). Ela prometeu estender esses programas sociais e dar início a outro, da farmácia popular, que vai oferecer remédios de uso continuado a um real para a população idosa do Estado. Seus adversários políticos acusaram-na, durante a campanha, de praticar assistencialismo barato.

Em 1994, depois de sofrer um grave acidente de carro e considerando-se renascido, Garotinho decidiu ingressar no presbiterianismo. Rosinha acompanhou o marido na decisão e, hoje, os dois são professores da Escola Dominical. Em entrevista para o jornal O Globo, em 25 de setembro, Rosinha garantiu que igrejas evangélicas não financiaram sua campanha, mas apenas a apoiaram. Ela retornará ao Palácio Guanabara, sede do governo, em janeiro, pelas suas próprias forças, não mais como "a esposa do Garotinho".

Agora "desempregado", se Garotinho quiser participar do novo governo, no Rio, há espaço para ele. Rosinha acha, contudo, que ele não vai querer isso, pois deverá colocar como meta pessoal reconstruir o PSB no Brasil.

Evangélicos também elegeram candidatos ao Senado, Câmara Federal e Assembléia Legislativa. O bispo Marcelo Crivella, do Partido Liberal, conquistou uma das duas vagas ao Senado. O líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) no Rio de Janeiro elegeu-se com 3,2 milhões de votos, derrotando velhas raposas políticas, como o presidente do PDT, Leonel Brizola.

A nominata dos 46 deputados eleitos para a Câmara Federal aparece com muitos bispos e pastores: bispo João Mendes de Jesus, do PDT; bispo Rodrigues e o pastor Almir, pelo PL; bispo Vieira Reis e o pastor Divino pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

O mesmo se constata entre os eleitos à Assembléia Legislativa do Estado: pastor Ely Patrício, pelo Partido da Frente Liberal (PFL); bispo Léo Vivas, pelo PDT; bispo Caetano, pelo PL; bispo Jodemir, pelo Partido Trabalhista do Brasil (PT do B), e pastora Edna, pelo PMDB.