Arquidiocese pede que católicos não façam compras aos domingos
FLORIANÓPOLIS, Brasil, Outubro 8, 2002
A Arquidiocese de Florianópolis, que tem jurisdição sobre 30 municípios, conclamou os prefeitos dessas cidades Taxi Heathrow Airport para que façam observar o descanso semanal no domingo, e pediu aos fiéis católicos que não comprem aos domingos em shoppings centers, supermercados e lojas comerciais.
O domingo, diz declaração da Arquidiocese assinada pelo arcebispo Dom Murilo Krieger e pelo bispo auxiliar Dom Vito Schlickmann, é o dia em que as famílias e as comunidades se encontram, em que cada ser humano procura revigorar suas forças físicas e espirituais. "É dia de descanso, um direito que é expressão de justiça social, que possibilita a convivência com a família e com a comunidade".
A declaração explica que o "dies Domini" reporta-se à ressurreição de Jesus Cristo, que aconteceu no primeiro dia da semana. Os apóstolos e primeiros cristãos passaram a reunir-se nesse dia - o dia do Senhor - para celebrarem a presença do ressuscitado em meio à comunidade e para partilharem os bens entre os necessitados.
"Ao longo de 20 séculos de história, a Igreja Católica, juntamente com as outras igrejas cristãs, sempre reconheceu o particular sentido sagrado desse dia, vendo nele a Páscoa da semana, que torna presente a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte", arrolam bispos, padres e diáconos da Arquidiocese, que, reunidos em Tijucas, no dia 17 de setembro, aprovaram o texto da declaração.
Eles lembram que o domingo não é um feriado, mas um dia santificado. "No feriado, cada um faz o que quer. No domingo, deve-se fazer o que Deus quer. Esse é o sentido do terceiro mandamento: guardar e santificar o dia do Senhor". O texto remete a práticas, cada vez mais em uso, ditadas por condições sócio-econômicas, que "tendem a dar a esse dia apenas um caráter de 'fim de semana'".
Bispos, padres e diáconos manifestam-se claramente contra a abertura do comércio aos domingos. Até entendem que a iniciativa gera vantagens financeiras, ainda mais numa área turística, como é a região de Florianópolis. Mas as desvantagens, argumentam, são maiores, na medida em que "atropelam os fundamentais direitos do trabalhador ao repouso, à convivência com a família e à prática religiosa".
A declaração critica a "banalização do domingo", que é de Deus, mas que está sendo usado em favor do lucro e do dinheiro. "Troca-se o Deus da vida pelo deus do mercado, em flagrante dissonância com o Evangelho de Jesus, que alertou: 'Não podeis servir a Deus e ao dinheiro'". Se houver, contudo, a real necessidade de se trabalhar nesse dia da semana, que ele seja feito por sistemas de turnos e plantões, sugere a Arquidiocese.
Para estar à altura da dignidade humana, conclui o documento, "não pode a sociedade organizar-se apenas em função do lucro, como único valor a ser preservado. Se pretendemos construir uma sociedade justa e fraterna, não será entregando-nos à lógica do mercado que o conseguiremos. Além da dimensão econômica, há outros valores humanos, até mais fundamentais, a serem promovidos, tais como o convívio familiar, o culto religioso, o contato com a natureza, o louvor ao Criador", estima a declaração.
Denise De Rocchi
Em Porto Alegre, a discussão sobre abrir ou não o comércio aos domingos criou uma "saia justa" para representantes do comércio numa reunião almoço. Eles convidaram o arcebispo e tentaram convencer o religioso a apoiar a abertura. Um dos diretores dos sindicatos do setor argumentou com o arcebispo que em cidades onde havia comércio aos domingos a frequencia nas missas havia crescido. A resposta foi seca e direta: "Domingo é o dia sagrado de descanso".
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